terça-feira, 26 de setembro de 2017

É impossível Arrepender? Uma Hermenêutica de Hebreus.


Esboço para discussão em sala, aula de hermenêutica 26/09/2017

Professor Rodrigo Martins ITQ Juiz de Fora MG

Análise de Hebreus 6 com especial atenção em:

“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.” Hebreus 6:4-6

  • O livro foi escrito entre 60 e 70 d.C. talvez Itália (Hb.13.24). Tema principal: A superioridade de Cristo.


  • "Hebreu" era o nome dados aos israelitas pelas nações vizinhas. Talvez tenha derivado de Éber ou Héber, que significa "homem vindo do outro lado do rio" (Jordão ou Eufrates) (Gn.10.21,24; 11.14-26; 14.13 Js.24.2). Abraão foi chamado de "hebreu".


Temos então várias designações para o mesmo povo:

- Hebreu: designa descendência.
- Israel: destaca o aspecto religioso.
- Judeu: da tribo de Judá ou habitante do reino de Judá.

Contextualizando:

Alguns desses termos foram mudando um pouco de sentido com o passar do tempo. O "judeu" do Velho Testamento estava estritamente ligado à tribo de Judá. Depois do cativeiro, a maior parte dos que regressaram a Canaã eram da tribo de Judá. Então, "judeu" tornou-se quase um sinônimo de israelita, já que quase todos os israelitas eram judeus. O termo tem esse mesmo sentido genérico até hoje.

O "hebreu" do Velho Testamento era todo indivíduo israelita. No Novo Testamento, esse termo passa a designar mais especificamente aquele israelita que fala aramaico e é mais apegado ao judaísmo ortodoxo, em contraposição ao "helenista", que é o israelita que fala grego e está mais influenciado pela cultura grega. Nesse sentido, veja Filipenses 3.5 e II Coríntios 11.22, nos quais o apóstolo Paulo cita com orgulho o fato de ser "hebreu" , assim como eram seus pais.

O autor insiste em que os leitores de sua carta deixem o que é primário e prossigam até a perfeição, no sentido de maturidade. Ele lista então seis pontos doutrinários, que chama de os rudimentos da doutrina de Cristo (os primeiros rudimentos, em Hb 5.12):

(1) Arrependimento de obras mortas se refere à mudança de pensamento quanto às exigências da Lei de Moisés (Hb 9.14).

Embora a Lei seja boa (1 Tm 1.8), era fraca, por causa da fraqueza de nossa natureza pecaminosa (Rm 8.3).

(2) O que é necessário para a salvação não são as obras mortas, que não podem salvar, mas a fé em Deus.

(3) Batismos pode referir-se aos vários batismos citados no Novo Testamento (o batismo de Cristo, o de João, o batismo do crente nas águas, e o espiritual, do crente pelo Espírito Santo), ou também aos diversos ritos de purificação praticados pelos judeus.

(4) No livro de Atos, a imposição das mãos era usada para transmitir o Espírito Santo (At 8.17,18; 19.6), assim como para ordenação ao ministério (At 6.6; 13.3). Essa prática é encontrada também no Antigo Testamento, para a delegação de poderes a alguém para serviço público (Nm 27.18,23; Dt 34.9) e no contexto de apresentação do holocausto ao Senhor (Lv 1.4; 3.2; 4.4; 8.14; 16.21).

(5) Ressurreição dos mortos se refere à doutrina da ressurreição de todos no final dos tempos (Ap 20.11-15). E um ensinamento do Antigo Testamento (Is 26.19; Dn 12.2), amplamente difundido no judaísmo do século 1, principalmente pelos fariseus. Para os cristãos, tornou-se essencial a crença na ressurreição de Jesus, sem a qual não existiria o perdão dos pecados (1 Co 15.12-17).

(6) Juízo eterno se refere à crença de que todos seremos julgados pelo grande Juiz. As Escrituras indicam que existirão dois tipos de julgamento final: o dos cristãos, no qual Jesus determinará a recompensa de cada um (1 Co 3.12-15), e o juízo dos descrentes (Ap 20.11-15).

Há três grupos nesse contexto e seus leitores originais são cristãos judeus que estão pensando em retornar ao judaísmo, e segundo o texto estarão se juntando às fileiras daqueles que crucificaram Cristo, pois sua atitude corresponde, em importância, a uma rejeição pública, a uma nova crucificação (simbólica) do Senhor. 

É necessário então compreender que “três grupos básicos de pessoas estão em vista em toda esta epístola. Se não mantiver um destes grupos em mente, o livro se torna bastante confuso.”  Em linhas gerais, os leitores eram judeus, que mantinham uma compreensão razoável da Torá. Um primeiro composto por judeus que eram cristãos de fato; um segundo, composto por judeus não cristãos que estavam intelectualmente convencidos; e, um último, composto por judeus não cristãos que não estavam convencidos.

A passagem diz respeito a judeus, verdadeiros crentes em Jesus, que, ao sofrerem perseguição, viam-se tentados a novamente se envolver com a religião judaica e seus ritos, de que haviam sido libertos em Cristo. Em vez de falar da perda da justificação, a passagem se refere ao fracasso de um crescimento à maturidade. O crente que, tentado, é levado a cair (como traduz melhor o grego), depois de já haver obtido progresso na caminhada cristã, como se evidencia nas características do crescimento cristão indicadas nos versículos 4 e 5, após a queda (o abandono não de Cristo, mas da corrida cristã) coloca-se em risco de ficar estagnado no crescimento cristão. A expressão e recaíram pode ser traduzida de forma melhor por e caíram de lado, representando um corredor que cai ao lado da pista durante uma corrida. Quando leio isso penso no "Mito da Caverna" de Platão. Reflita sobre esta explicação e faça uma correlação com a imagem que segue:




Por exemplo, a questão do “aio” em Gálatas 3:24-25:

A palavra "aio" (tutor) vem de uma palavra grega que quer dizer,  literalmente, "uma pessoa que conduz uma criança". Os aios na época de  Paulo foram servos responsáveis pela proteção dos filhos de seus senhores, levando-os para a escola, corrigindo-os, etc. Não foram os professores, nem os pais, mas serviam para cuidar da criança. Em Gálatas, Paulo mostra que as pessoas que estavam sujeitas à lei de Moisés no passado não permanecem subordinadas a este "aio". Ele afirma que a lei cumpriu sua função temporária. Por isso, ela não tem o mesmo domínio depois da chegada da fé em Cristo. 

Ele disse: "Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio" (Gálatas 3:23-25). O aio representa a lei revelada através de Moisés. A fé representa o evangelho de Jesus Cristo. As boas novas de salvação em Cristo já foram reveladas, e ninguém precisa guardar as leis do Antigo Testamento.

(6 .7 ,8 ) Nestes versos que se seguem, há uma ilustração baseada na natureza transmite duas verdades: (1) um pedaço de terra que recebe chuva (um dom celestial, v. 4) e que é produtiva e útil para muitos e abençoada por Deus (v. 7); (2) um pedaço de terra (v. 8) que recebe chuva (um dom celestial, v. 4), mas é improdutiva, é reprovada (gr. adokimos), palavra que significa desqualificada, usada em relação a cristãos desqualificados para receber recompensas (1 Co 9.27; 2 Co 13.5,7). Essa terra não é amaldiçoada, mas perto está da maldição (1 Co 11.29-31).

A consequência é ser queimada, o que não significa o inferno, mas um juízo temporal de Deus. No Antigo Testamento, o juízo de Deus sobre Seu povo está associado a queima dos campos (Is 9.18-19; 10.17), o que representa morte física, mas não morte espiritual. Talvez exista aqui também uma alusão ao fogo do juízo, quanto ao fundamento de Cristo (1 Co 3.11-15). Existia uma prática antiga de queimar a terra para destruir as ervas daninhas e fazer que o campo fosse útil novamente. Se essa é a alusão pretendida, então a passagem ensina que, embora todas as tentativas humanas de restaurar os apóstatas sejam inúteis (v. 6), existe a esperança de que possam voltar a produzir novamente. E possível a uma pessoa naufragar na fé e aprender, então, com essa ruinosa experiência (1 Tm 1.18-20).

“Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança;” Hebreus 6:10,11

“A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu,Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.” Hebreus 6:19,20

A esperança do crente em Cristo é segura como uma âncora. Essa âncora não está na areia, mas na presença do Todo-poderoso. Interior do véu se refere ao Santo dos Santos, o lugar onde Deus habita. 

A palavra grega para precursor era usada no século 2 d.C. com relação a barcos menores enviados para o porto pelos grandes navios impossibilitados de lá atracar devido ao mau tempo. Esses barcos carregavam a âncora através da arrebentação para o porto e a prendiam lá, segurando assim o navio maior. Precursor pressupõe que outros o seguirão. Deste modo, Jesus é não somente a própria âncora do crente, mas também o barco que leva a âncora para o porto e a segura firmemente. 

“Go” siga daqui e confia!

“Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa. Porque ainda um pouquinho de tempo, E o que há de vir virá, e não tardará.” Hebreus 10:35-37

“Para ver se de alguma maneira posso chegar à ressurreição dentre os mortos. Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:11-14

domingo, 24 de setembro de 2017

Apocalipse 12! O que Significa?



Perguntas recebidas: “Quem é a Mulher de Apocalipse 12?” “A que evento o capítulo se refere?”

Apocalipse 12: 1-6
“E VIU-SE um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz. E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas. E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho. E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.”

  • Apocalipse significa revelação, este livro caracteriza-se pela linguagem mística, os símbolos, visões e aparições celestes. Se fosse escrito em linguagem corrente e comum, seus inimigos o destruiriam por falar contra eles.


  • A literatura apocalíptica nasce dentro de um processo histórico de perseguição, numa situação critica servindo para animar as comunidades perseguidas. A situação histórica vivida pela comunidade onde nasce essa literatura é representa pela abundância de imagens, visões, números...

  • É um gênero estranho para nós. Para a época, era traduzido intelectualmente. Uma literatura de erudito para eruditos, por isso sua interpretação ligavam-se ao seu  meio social. (contexto é tudo gente!)


Por exemplo, naquele contexto:

Túnica = dignidade sacerdotal.
Cinto de ouro = o poder real.
Olhos chamejantes = ciência perfeita (1,13-16).
Branco = vitória.
Vermelho = violência.
Preto = morte...

  • Este livro implicitamente recorre a apocalíptica judaica e ao A.T.. Servindo-se do Êxodo, Daniel e Ezequiel de onde extrai a maioria dos símbolos e imagens, por isso para interpretá-lo é necessário conhecer os escritos proféticos do Antigo Testamento.


  • As Profecias obedecem a “Lei da Dupla Referência”, (já expliquei essa forma de interpretação em outro artigo e em meu TCC) Significa dizer que as profecias tem um cumprimento histórico e outro futuro.


  • O Apocalipse é um livro do seu tempo, escrito a partir do seu tempo e para o seu tempo; Mas é válido para todos os tempos, pois há claramente uma mensagem para a Igreja de Cristo em todas as épocas.


  • O texto não pode significar hoje o que nunca significou para a época, mesmo a dupla referência estará dentro do contexto da mensagem bíblica.


  • É preciso descobrir o “lá e então” para se determinar o “aqui e agora”.


  • Toda vez que esse adversário é mencionado como serpente é uma referência ao passado, toda vez que é mencionado como Dragão é uma referência ao futuro.

Interpretando Apocalipse 12:

Vários elementos do simbolismo mostram uma conexão com Gênesis 37:9,10, em que o sol no sonho de José, representa Jacó; a lua Raquel, as estrelas as tribos de Israel.

“E teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, e disse: Eis que tive ainda outro sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim. E contando-o a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai, e disse-lhe: Que sonho é este que tiveste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?”

As figuras de linguagem referentes a Israel como uma parturiente no AT sustentam essa interpretação (Is 26:17,18; 66:7; Jr 4:31; 13:21; Mq 4:10; 5:3), como também o faz a referencia à arca da aliança de Israel no versículo imediatamente antecedente a Apocalipse 12;1 (11:19).

“Como a mulher grávida, quando está próxima a sua hora, tem dores de parto, e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós diante de ti, ó Senhor! Bem concebemos nós e tivemos dores de parto, porém demos à luz o vento; livramento não trouxemos à terra, nem caíram os moradores do mundo.” Isaias 26:17,18

“Antes que estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um menino.” Isaias 66:7

A "judaicidade" do contexto encontra apoio adicional nas referencias às doze tribos de Israel em Apocalipse 7:5-8 e 21 e para o templo e Jerusalém em 11:1-13.

Neste capítulo lemos que o "dragão" persegue a "mulher"(Israel) que "deu à luz a um filho varão".

Esses versículos mostram claramente que estão num cumprimento histórico e futuro na "Grande Tribulação", nos remete claramente ao pensamento e lembrança de quando satanás fez sua investida direta contra Cristo quando este nasceu.

Os detalhes apontam para a identificação da mulher como símbolo do Israel nacional.

O Capítulo 12 , fala da continua animosidade de satanás contra Israel, em geral, e contra seu Messias.

A descrição de dores de parto como disse acima, antes de dar à luz a Criança que se torna o Regente das Nações (v.5) pode referir-se também a Maria, como mãe de Jesus (Já que as profecias obedecem a lei da dupla referência como já foi dito), (Mq 5.3; Lc 2.5-7).

Detalhes posteriores (Ap 12.6,13-17), no entanto, sugerem que a mulher provavelmente tem uma referência mais ampla. Como uma representação semelhante é usada em relação a Israel em Miquéias 4.9-10, uma representação da nação judaica ou do remanescente fiel dentro da nação. Além disso, a primeira profecia da Bíblia, Gênesis 3.15, serve como um lembrete da batalha entre a Semente da mulher e Satanás.

Atentando sempre a historicidade do contexto:

A fuga da mulher para o deserto por 1.260 dias refere-se ao tempo futuro chamado de Grande Tribulação. Mil duzentos e sessenta dias são 42 meses (de 30 dias cada), o que é o mesmo que três anos e meio. Na metade do período da Tribulação, a Besta (o Anticristo) colocará uma imagem de si mesmo no templo que será construído em Jerusalém. Esta é a abominação de que Jesus falou em Mateus 24:15 e Marcos 13:14. Quando a Besta fizer isso, ela quebra o pacto de paz que havia feito com Israel e a nação tem de fugir por segurança (ver também Mateus 24; Daniel 9:27). Esta fuga dos judeus é retratada como a mulher fugindo ao deserto.

Embora seja verdade que Maria deu à luz Jesus, também é verdade que Jesus, o filho de Davi da tribo de Judá, veio de Israel. Em certo sentido, Israel deu à luz (gerou) Cristo Jesus. A mulher (v.1-6) é, de alguma forma, levada para o seu lugar de proteção contra a serpente, o deserto, como se fosse carregada pelas asas de uma grande águia. Isso faz lembrar como Israel escapou dos egípcios e chegou ao monte Sinai (Êx 19.4; Dt 32.11,12). Um tempo equivale a um ano; então, o período de proteção aqui é de três anos e meio, que corresponde ao período do testemunho das duas testemunhas em Apocalipse 11.3. É equivalente também ao período da autoridade da besta — quarenta e dois meses (Ap 13.5) —, que inclui a sua habilidade para fazer guerra aos santos e vencê-los (Ap 13.7; Dn 7.25; 12.7).

Isa 54:1 "Cante, ó estéril, você que nunca teve um filho; irrompa em canto, grite de alegria, você que nunca esteve em trabalho de parto; porque mais são os filhos da mulher abandonada do que os daquela que tem marido", diz o Senhor.
Isa 54:2 "Alargue o lugar de sua tenda, estenda bem as cortinas de sua tenda, não o impeça; estique suas cordas, firme suas estacas.
Isa 54:3 Pois você se estenderá para a direita e para a esquerda; seus descendentes desapossarão nações e se instalarão em suas cidades abandonadas. "
Isa 54:4 "Não tenha medo; você não sofrerá vergonha. Não tema o constrangimento; você não será humilhada. Você esquecerá a vergonha de sua juventude e não se lembrará mais da humilhação de sua viuvez.
Isa 54:5 Pois o seu Criador é o seu marido, o Senhor dos Exércitos é o seu nome, o Santo de Israel é seu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra.
Isa 54:6 O Senhor chamará você de volta como se você fosse uma mulher abandonada e aflita de espírito, uma mulher que se casou nova, apenas para ser rejeitada", diz o seu Deus.
Isa 54:7 "Por um breve instante eu a abandonei, mas com profunda compaixão eu a trarei de volta.
Isa 54:8 Num impulso de indignação escondi de você por um instante o meu rosto, mas com bondade eterna terei compaixão de você", diz o Senhor, o seu Redentor.

O sinal do grande dragão vermelho é interpretado no versículo 9 como Satanás, que inicialmente aparece nas Escrituras como uma serpente no jardim do Éden (Gn 3). A imagem está de acordo com o Antigo Testamento e com o uso extrabíblico (Is 27.1). O dragão com sete cabeças e dez chifres se refere a Satanás e ao império sobre o qual ele governa durante o curso de tempo.

A referência à terça parte das estrelas do céu pode ligar esse acontecimento ao juízo das trombetas no qual a terça parte é a proporção característica de destruição (Ap 8.7), incluindo a terça parte das estrelas (v.12). No entanto, também é entendida como uma referência à rebelião da terça parte dos anjos que seguiram Satanás. A tentativa do dragão de tragar o Cristo recém nascido revela que a estratégia de Herodes para matar Jesus, quando este era um bebê (Mt 2.3-16) foi satanicamente inspirada.

Apocalipse 12:12-17 como explicado acima, fala de como o diabo vai fazer guerra contra Israel, tentando destruí-la (Satanás sabe que o seu tempo é curto, relativamente falando – ver Apocalipse 20:1-3, 10). Essa passagem também revela que Deus vai proteger Israel no deserto. Apocalipse 12:14 diz que Israel vai ser protegida contra o diabo por “um tempo, e tempos, e metade de um tempo” ("um tempo" = 1 ano; "tempos" = 2 anos; "metade de um tempo"= meio ano; em outras palavras, três anos e meio).

Miguel é um arcanjo (Jd 9). De acordo com Daniel 12.1, ele é um anjo guardião especial da nação de Israel. Aparentemente, comanda um exército de anjos. Miguel e os exércitos celestiais são vitoriosos, deixando Satanás e seus demônios fora dos limites do céu.

O perigo da água como um rio para a mulher é afastado quando a terra se abre, talvez da mesma forma que se abriu para o rebelde Corá e seus seguidores em Números 16.30-33. Não há um modo de determinar se esse é o relato de uma enchente real ou a descrição figurativa de um ataque de Satanás contra os protegidos por Deus.


Rodrigo Martins de Oliveira. Bacharel em Teologia. Professor de Escatologia Bíblica e Hermenêutica no I.T.Q. Juiz de Fora MG

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O mundo vai acabar em 23/09/2017?



Vários de vídeos no YouTube e textos na internet estão sugerindo que em 23 de setembro de 2017 combinando o Apocalipse 12: 1-2, sinalizará o início do Arrebatamento ou o Fim do Mundo.

Há pessoas que veem em 2017 diversos significados “numerológicos”, dizem que no calendário grego ele é um ano cabalístico marcado por fins de ciclos e recomeços. No calendário hebraico, 5777, onde 5 é considerado o número da graça e 7 o completo, ou seja, 777, três vezes completo.

Bom, vamos lá! sou Professor de Escatologia e Apocalipse no I.T.Q. (Instituto Teológico Quadrangular) Juiz de Fora MG já fazem 12 (doze) anos e, estudo o tema já fazem 20 (vinte) anos, já li mais livros sobre as mais variadas linhas de interpretação do Apocalipse que eu possa enumerar e, é daí que partirá minha análise.

*ontem alguém me disse até que teria sido prorrogado o fim do mundo para 28/09/2017.

Não tem nada disso!

Não é o Fim do Mundo nem o Arrebatamento.

  • O Fim do Mundo como vaticinado nos filmes não existe! Não acontecerá. (haverá sim uma reforma da terra).

  • O Arrebatamento é Iminente. Significa dizer que é imediato-a-qualquer-momento, sem prévio aviso, ninguém pode dizer quando ocorrerá.


Quanto aos sinais de Mateus 24, estes nada tem com o Arrebatamento esperado por muitos, mas sim com a  volta visível de Cristo Jesus para Reinar literalmente no Mundo a partir de Israel conforme Zacarias 14 e vários outros textos bíblicos.

Evangelho pregado em todo mundo, guerras, rumores de guerras, pestes fome, fuga no sábado, são um sinal para o Israel da Profecia Bíblica, sobre a Volta (manifestação) do Messias.

“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” Mateus 22:29. Continua Válido!

O tema da “Queda e Restauração Nacional, Política e Econômica daquela Nação” estão intimamente ligados nas Escrituras com a Volta (manifestação) visível de Jesus Cristo.

“Calma! Tá tudo certo gente!”

Agora, se é a chegada de ET’s ou do Anticristo (que são a mesma coisa) aí já é outra história, (a questão se há vida em outros planetas discutirei em outro artigo).

O caso é que se a doutrina do Arrebatamento está correta a igreja muito provavelmente verá o Anticristo, porque ao contrário do que muita gente pensa o que inicia a Grande Tribulação (sete anos de juízo sobre a terra) não é o Arrebatamento, mas sim a Assinatura do tratado com o Anticristo conforme Daniel 9:24-27.


Em 2012 quando o mundo ia acabar também, eu escrevi um artigo com o tema: “Por que o fim do Mundo nos Fascina?”, sugiro a leitura agora através deste link:

http://rodrigoartigos.blogspot.com.br/2012/12/por-que-o-fim-do-mundo-nos-fascina.html

Rodrigo Martins de Oliveira

sábado, 2 de setembro de 2017

“Manifestações do Silêncio”


Esboço Pregação dia 02/09/2017 IEQ Sede Democrata Juiz de Fora/MG
Preletor: Pr Rodrigo

Sobre a aparente contradição dos termos - Conceito e definição: Manifestação: Pronunciamento, exposição ou revelação. Silêncio: ausência de ruído, sossego, calma.

Texto Base: Habacuque 1: 1-13 (aleivosamente/traiçoeiramente)

O Profeta Habacuque viveu durante o período de reinado do rei Joaquim (608-598 a.C.). Ele provavelmente testemunhou o declínio e queda do Império Assírio e a derrota de Nínive por volta de 612 a.C. Essa data também o coloca como um contemporâneo de Naum e Sofonias e como contemporâneo mais jovem do Profeta Jeremias.

O significado do nome “Habacuque” também é incerto. O nome tanto pode estar ligado à raiz hebraica que significa “abraço” (h-b-q), ou ao nome de uma planta assíria chamada “hambakuku“. A forma grega desse nome é Hambakoum. Caso esse nome seja derivado do hebraico, então seu significado pode estar relacionado a uma ideia de aceitação do Senhor por Habacuque, ou, como Lutero entendeu, esse significado pode se referir a Habacuque como sendo alguém que abraça o seu povo num tempo de desespero. Já Jeronimo entendeu que esse “abraço” deveria ser aplicado no sentido “luta”, isto é, alguém que “lutou” com Deus. Se for a segunda possibilidade a correta, ou seja, do nome ser derivado de uma planta assíria, então esse nome pode representar o grau de influência da cultura assíria sob a sociedade de Judá.

O Profeta Habacuque viveu num período de crise, sobretudo espiritual, onde o povo escolhido de Deus estava perdendo a sua identidade. Toda essa situação fez com que Habacuque questionasse ao Senhor com relação a uma aparente indiferença de Deus para com a terrível realidade de sua época.

Este período é escolhido em razão de:

  • O caos ético e social que o texto de 1:2-4 apresenta combina com a decadência moral com os dias de reinado de Jeoaquim, conforme Jeremias denunciou.


  • A proximidade da realização dos eventos descritos em 1:6-11, conforme a expressão “nos dias de vocês” no verso 5. Javé havia prometido a Josias que seu reinado não terminara com a invasão e cativeiro (2 Rs. 22:18-20). Talvez os oráculos de Habacuque se refiram aos últimos 20 anos de independência de Judá.


  • A ascensão da Babilônia como superpotência mundial no século VII a.C. acontece no período previsto em Habacuque.


  • O verso 5 ainda nos ajuda a definir esse período, pois, tendo o Egito como aliado, Judá dificilmente acreditaria que seriam vencidos pela Babilônia; o que de fato aconteceu quando Nabucodonosor derrotou o faraó Neco em Carquêmis (Jeremias 46:2,6,10; II Reis 24:7).


Quando se prega sobre Habacuque, costuma-se manter a reflexão em duas passagens: o de que “o justo viverá pela fé” (2:4), base da teologia da justificação de Paulo em Romanos (e não a confissão positiva atual, do “tudo posso”, “tomo posse” e “determino”), e o belíssimo hino final, “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação” (4:17-18).

Outras passagens ficam escondidas dos ouvintes como, os 5 “ais” do capítulo 2 de Habacuque, uma gigantesca exortação - do próprio Deus - a que o crente viva uma vida digna e honesta e se afaste dos terríveis pecados e da ganância que maculam a humanidade, e, que constitui a resposta de Deus ao texto que foi lido no início.

É difícil - atualmente - encontrar alguém que tenha ouvido uma pregação sobre os “ais”, embora eles continuem reverberando nas consciências de todos, como um grito surdo que não consegue se fazer ouvir.

Daí a importância de “ressuscitá-los”:

O primeiro “ai” de Habacuque ataca frontalmente o pensamento mágico de muitos falsos profetas de hoje, que pregam uma espécie de evangelho do abracadabra, do enriquecimento ilícito e sem causa: “Ai daquele que acumula o que não é seu! (até quando?) e daquele que se carrega a si mesmo de penhores!” (2:6 – Almeida Revista e Atualizada). A Nova Versão Internacional (NVI) traduz: “Ai daquele que amontoa bens roubados e enriquece mediante extorsão”.

O segundo “ai” complementa o sentido do primeiro: “Ai daquele que adquire para a sua casa lucros criminosos, para por o seu ninho no alto, a fim de se livrar das garras da calamidade!” (2:9 – ARA). A Bíblia do Peregrino (BP) verte como “Ai de quem ajunta em casa ganhos injustos, e aninha muito alto para se livrar da desgraça”.

O terceiro, “ai de quem constrói a cidade com sangue e alicerça no crime a capital!” (2:12).

O quarto: “Ai daquele que dá de beber ao seu próximo, adicionando à bebida o seu furor, e que o embebeda para ver a sua nudez!” (2:15).

Pode parecer que aqui se trata de alguma conotação sexual, mas o sentido original se refere àqueles que se valem de todo tipo de artimanhas para levar o próximo à miséria e à nudez, ou seja, para espoliá-lo (do latim spoliare – roubar, defraudar, tirar a roupa).

A Bíblia de Jerusalém chega mais perto do significado ao traduzir por “ai daquele que faz beber seu vizinho! Tu misturas seu veneno até embriagá-lo, para ver a sua nudez!”.

O quinto "ai" -, o Senhor finaliza com “Ai daquele que diz ao pau: Acorda; e à pedra muda: Desperta! Pode isso ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, e dentro dele não há espírito algum” (2:19 – ARA).

Mais do que uma condenação veemente à vã idolatria do dinheiro e metais preciosos, temos aqui um grave alerta para que não se tire de Deus a glória que lhE é devida, e não se busque em ídolos de qualquer a espécie a dependência e a satisfação cuja única fonte deve ser tributada ao Senhor.

Vemos, portanto, que Deus condena, por intermédio de Seu profeta Habacuque, os lucros auferidos com o crime, o engano, a dissimulação e a extorsão (não só a que apela para a chantagem e as armas, mas também para as emoções).

Deus não negocia com o ser humano na base de mantras coletivamente ensaiados com o fim de “comprar” o Seu favor.

A principal manifestação do silêncio é a reflexão para alguma tomada de atitude, Você deve ter notado que quando as pessoas estão bravas, elas mantém silêncio. Ou elas gritam muito, e depois ficam em silêncio.  Você pode facilmente decifrar se alguém está bem ou não. Se estão muito em silêncio, então há algo errado. Se você está triste, fica em silêncio. As pessoas ficam de cabeça baixa e em silêncio. E se você está envergonhado, fica em silêncio. E se você é sábio, se torna silencioso. E quando se confronta com ignorância e questões sem necessidades, se torna silencioso. 

Alguém já disse que “Deus não fala, mas que tudo fala de Deus”. Isto é, Deus fala pela Revelação e pela vida, mas esta linguagem tem de ser decifrada. Seus silêncios aparentes são sábios e nos obrigam a exercitar o ouvido da alma, e criar novas antenas e ouvidos interiores, para ouvir a sua voz. Não é que Deus não fale, somos nós que não captamos sua palavra.

Textos de conclusão em conexão com o tema proposto: Habacuque 2:3; 3:2 e 3:16

*Embora a Reforma Protestante pavimentou o caminho para os cristãos serem capazes de ler a Bíblia por si mesmos, ainda são importantes as habilidades hermenêuticas e exegéticas / Estudo da Bíblia.

Associações mais comuns de “Ai” na Bíblia são julgamento e aviso.

“Ai” é um termo forte que está geralmente associado com uma advertência ou julgamento de Deus. É certamente uma palavra usada negativamente, muitas vezes, uma conotação de emoções extremas, tais como: dor, tristeza, ira, remorso ou mesmo algum tipo de infortúnio grave (como uma sentença).

Curiosamente, Jesus usou a palavra mais do que qualquer outra pessoa na Bíblia. Por exemplo, Mateus 23:13 diz: "Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar". Este versículo começa uma série de versos (de Mateus 23:13-16), em que Jesus usa continuamente a palavra ai na sua condenação dos escribas e fariseus. Nesta passagem, cerca de sete “Ais” são dados e todos eles condenam aqueles líderes religiosos que diziam e pareciam ser justos, quando na verdade eles não eram. 

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Os Salmos e A Hermenêutica



O Salmo 24 e A Profecia Bíblica

*Há tanto o valor doutrinário e experimental nos salmos para nós hoje, quanto significado profético!

“DO Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios. Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação. Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó. (Selá.) Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. (Selá.)”

Obs. Selá é uma palavra usada geralmente em Salmos, e possui um conceito de difícil tradução. (Ela não pode ser confundida com a palavra hebraica que significa "rocha".) É uma instrução sobre a leitura do texto, algo como "Medite". Os Salmos foram cantados acompanhados por instrumentos musicais e há referências a isto em muitos capítulos. Trinta e um dos trinta e nove salmos com o título "Para o músico mor" incluem a palavra "Selá". Selá portanto registra uma pausa na música e tem um propósito similar ao Amém na medida em que ressalta a importância da passagem anterior.

Versículo 1 - A poesia hebraica é caracterizada por paralelismos; este verso é um exemplo disso, a palavra ‘terra’ é sinônimo de ‘mundo’; e a frase ‘plenitude’ é sinônimo de ‘aqueles que nele habitam’. Portanto, o que este versículo nos diz é que “Toda a terra pertence ao Senhor, o Deus de Israel; não só a terra, mas todos os seus habitantes. Deus não é apenas o Deus de Israel, Ele é Deus de toda a terra, o único Soberano de toda a criação”.

Vinculado aos Salmos 22 e 23, porque os três falam profeticamente da vinda do Senhor Jesus. O Salmo 24 também possui algumas afinidades com o Salmo 15, porque ambos fazem a pergunta de quem é digno de entrar na presença do Senhor e respondem a ela. A resposta do Salmo 15 se concentra na retidão da pessoa; a do Salmo 24 se concentra no Rei da Glória. O Salmo 24 também deve ser lido acompanhado dos Salmos 2 e 110, que também focalizam o retorno do Senhor Jesus Cristo para instituir Seu reino na terra. Este salmo tem três passagens: (1) louvor a Deus, Criador e Soberano do mundo (v. 1,2); (2) questionamento de qual seria a abordagem apropriada ao Senhor (v. 3-6); (3) antevisão do Rei da Glória (v. 7-10).

Descrição do fato:

Naturalmente, depois que a batalha se encerra, o exército e a arca faziam o trajeto de volta ao santuário.

Essa é provavelmente a situação que está por traz da liturgia nos salmos 24.

Depois de uma declaração da soberania de Deus. Sobre usa criação (v. 1,2) os versos de 3 a 6 descrevem o tipo de pessoa que podia entrar nos recintos sagrados. Pode ser que isso implique que alguém ou determinado grupo procurasse ter acesso ao santuário, e, pelos versículos de 7 a 10, acreditamos que a idéia se refere ao exército, no momento em que retorna a Jerusalém para colocar a arca de volta no lugar Santíssimo.

Portanto, a interpretação do diálogo que acontece nos versículos de 7 a 10 é de que se trata de uma conversa entre um porteiro levita e os sacerdotes que carregavam a arca à frente do exército. Os primeiros a falar são os sacerdotes, que pedem acesso pelos portões da cidade: “abram-se, ó portais abram-se, ó portas antigas, para que o Rei da Glória entre”. (v 7 em algumas traduções).

A maneira de se entender historicamente (literalmente), como Deus pode ser visualizado em sua entrada pelo portão da cidade seria representado pela arca. De qualquer forma esse pedido é seguido por uma resposta indagadora do porteiro: “Quem é o Rei da Glória?” (v. 8a).

É obvio que os sacerdotes sabem muito bem quem é o Rei da Glória. Todavia a pergunta admite uma resposta de LOUVOR DESCRITIVO a DEUS, o Guerreiro.

De novo o sacerdote na liderança do exército responde: “O Senhor forte e valente, O Senhor valente nas guerras. Abram-se, ó portais; abram-se, ó portais antigos, para que o Rei da glória entre”. (v 8b,9).

Isso fornece a oportunidade para uma enfática reafirmação da pergunta e da resposta: “Quem é esse Rei da glória? O Senhor dos exércitos, ele é o Rei da glória”. (v 10).

Entendemos que será no tribunal de Cristo que o Salmo 24.7-10, terá seu cumprimento profético, quando a igreja dirá: Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Então milhares de anjos perguntarão: Quem é este Rei da Glória? e a igreja responde: O Senhor forte e poderoso na guerra. Mas não abrirá, e a igreja dirá: Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrara o Rei da Gloria. E milhares de anjos perguntarão: Quem é este Rei da glória? E a igreja responderá: E o Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da Glória. Então os umbrais se abrirão e o Senhor entrará com a igreja e os anjos a glorificarem o seu nome.

E sem dúvida há ali a descrição doutrinária, de como moralmente devem andar aqueles que quiserem habitar com Deus.

A importância dos Salmos para a Igreja:

“Cantai-lhe, salmodiai-lhe, atentamente falai de todas as suas maravilhas.” 1ª Crônicas 16:9

“Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração;” Efésios 5:19

Hermenêutica Escatológica dos Salmos:

a) Os Salmos são ricos em Profecias; 

b) Profecias Bíblicas, obedecem a lei da dupla referência;

c) Em ao menos vinte salmos existem alusões ao Anticristo;

Como exemplo, o Salmo 2 nos apresentam um rápido, porém vívido retrato de como terminará o período da Tribulação e, embora o Anticristo não seja citado diretamente, a luz que outras escrituras lançam somente isso revela a pavorosa personalidade que encabeçará a rebelião ali descrita. 

O Salmo 2 é profético em seu caráter e tem, como a maioria (se não todas) das profecias, um duplo cumprimento.

"Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas." (Sl. 2:1-3). Uma parte dessa passagem é citada em Atos 4, mas é interessante observar onde a citação termina. Pedro e João tinham sido levados diante das autoridades religiosas de Israel, porque tinham curado um homem paralítico em nome de Jesus Cristo. Os apóstolos fielmente se justificaram e, após serem advertidos e ameaçados, receberam a permissão de se retirar. É então que eles "levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há; que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e os príncipes se ajuntaram à uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido." (Atos 4:24-26). Observe que eles citaram somente os dois primeiros versos do Salmo 2, e que não disseram "agora isto está cumprido". O que eles disseram foi: "Porque verdadeiramente contra o teu Santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer." (vs. 27-28). Na prisão de Cristo e em seus julgamentos diante das autoridades judaicas e gentias, essa profecia de Davi tinha recebido um cumprimento parcial, mas o final (ou total) ainda é futuro. 

O tempo em que o Salmo 2 receberá seu cumprimento total é indicado na seção mediana — é pouco antes do tempo em que Cristo retornará a este mundo como "rei" e receber os gentios por herança e os confins da terra por sua possessão; em outras palavras, imediatamente antes do estabelecimento do Milênio, ou o fim do Período da Tribulação.

Quando lemos o Salmo 2 à luz de Ap. 16:14 e 19:19, descobrimos que ele retrata o ato final na carreira atrevida e desafiadora do último grande César. Em um ato de insano desespero, o Filho da Perdição reunirá suas forças e fará um esforço concentrado para impedir que o Cristo de Deus entre em sua Sua herança terreal. Acreditamos que isto seja evidente a partir das próprias palavras no salmo. O salmo inicia com uma pergunta: "Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs?" A pergunta é feita para chamar mais rapidamente a atenção do leitor e para enfatizar a malignidade impensável daquilo que se segue: "Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido." Observe que essa rebelião é feita não somente contra o Senhor, mas também contra Seu Ungido, isto é, contra Cristo. A loucura desse esforço (encabeçado pelo Anticristo) é indicado no verso 4: "Aquele que habita nos céus se rirá; o SENHOR zombará deles." A futilidade dessa ação é vista no verso 6: "Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião." O "porém" aqui tem a força de "apesar disto" e mostra o propósito, o objetivo que a insurreição tem em vista — é uma tentativa de impedir Cristo de retornar a este mundo e estabelecer Seu reino milenar. A resposta dos céus é observada no verso 5: "Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os turbará." Isto é ampliado em Ap. 19:20-21. O Salmo 2, então, nos leva para o fim da história do Anticristo e trata somente dos eventos finais de sua terrível carreira. Em outros salmos em ele que está em vista, incidentes anteriores são observados e seu tratamento ao povo judeu é descrito.

O próximo salmo em que o Anticristo aparece é o 5. Esse salmo apresenta as petições que o remanescente fiel de Israel fará.

Considerações sobre a divisão dos Salmos:

Os Salmos atribuídos a Davi são, em sua maioria, pedidos de auxílio em todas as aflições, de modo especial nas enfermidades e nas perseguições;

Os Filhos de Core tem por tema central o culto, o templo e a cidade santa;

Os Salmos de Asafe são cânticos nacionais ou didáticos que celebram o triunfo ou deploram a derrota de todo o povo e tem por fim ensinar verdades morais;

A coleção anônima compõe-se, na maioria, de hinos de louvor ou de ações ao Senhor.

Nome e Terminologia:

Em hebraico o nome é ”Sefer Tehilin”, que significa “livro dos louvores”. O nome “Salmos” vem da língua grega “Psalmos”. O nome aparece na versão LXX como “Biblos Psalmon” (livro dos Salmos). No NT a palavra “Psalmon” aparece em Lc 24:42 e At 1:20. Os manuscritos gregos de um modo geral trazem o título “Psalmoi”, mas alguns os denominam “Psalterion” (saltério) que quer dizer “coleção de cânticos”. Na Vulgata o livro assume o nome de “Líber Psalmorum”.

Os salmos estão organizados em cinco grandes livros:

Livro I: 1 a 41
Livro II: 42 a 72
Livro III: 73 a 89
Livro IV: 90 a 106
Livro V: 107 a 150

Subdivisões consideradas:

Coleções de Salmos:
Coleção davídica I: 3 a 41
Coleção dos filhos de Coré I: 42 a 49
Coleção davídica II: 51 a 65
Coleção de Asafe: 73 a 83
Coleção dos filhos de Coré: II: 84 a 88 (exceto o 86)
Coleção de louvor congregacional I: 95 a 100
Coleção Aleluia: 111 a 117
Coleção Salmos dos Degraus (subida a Jerusalém): 120 a 134
Coleção davídica III: 138 a 145
Coleção de louvor congregacional II: 146 a 150

Rodrigo Martins

Bacharel em Teologia, Professor de Hermenêutica e Escatologia há doze anos no I.T.Q. Juiz de Fora MG. Graduando em Pedagogia na UFJF.


PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. Editora Vida.
SPURGEON, C.H. Esboços Bíblicos de Salmos. Shedd Publicações.
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Teologia dos Salmos. Editora: JUERP
STANLEY, Gundry. Deus Mandou Matar ? Editora Vida.
PINK, Arthur W. O Anticristo

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Tipologia Bíblica (Hermenêutica)



Tipo e Antítipo, qual a diferença?

*Esse é um dos assuntos que ministro em sala de aula.

A tipologia é um tipo especial de simbolismo. (Um símbolo é algo que representa outra coisa.) 

Podemos definir um tipo como um "símbolo profético" porque todos os tipos são representações de algo ainda futuro. Mais especificamente, um tipo nas Escrituras é uma pessoa ou coisa no Antigo Testamento que prenuncia uma pessoa ou coisa no Novo Testamento.

Tipos são figuras que Deus utilizou ao longo da história bíblica para revelar acontecimentos futuros. Ele tem seu cumprimento na vinda do Messias. Este cumprimento é chamado antítipo.

Tipo é a figura, e antítipo á realidade representada pela figura. 

Assim, Adão é o tipo e Cristo é o antítipo.

Em Romanos 5:14, Paulo diz que Adão é tipo de Cristo, e, que, portanto, Cristo é o antítipo de Adão.
O prefixo grego “antí” tem, pelo menos dois significados: Tem o sentido de ser contra, que É um dos sentidos da palavra anticristo(I Jo.2:18).

Já No caso de Rm. 5:14 por exemplo, Jesus veio p ara tomar o lugar que inicialmente parecia ser de Adão , como cabeça da raça humana. Todo ser humano tem de fazer uma escolha, de estar em Cristo, a realidade, ou em Adão, a figura.

A crucificação é o antítipo do sofrimento de Jesus.

A expressão “segundo a ordem de Melquisedeque” significa que o sacerdócio de Jesus é do mesmo tipo, ou parecido com, o sacerdócio de Melquisedeque.

Ainda, em 1ª Pd. 3:21, o apóstolo está dizendo que o dilúvio de Noé é um tipo, uma figura, da qual o batismo cristão é o antítipo, a realidade.

Rodrigo Martins


Bacharel em Teologia, Professor de Hermenêutica e Escatologia ha doze anos no I.T.Q. Juiz de Fora MG. Graduando no Sétimo Período de Pedagogia na UFJF

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Por que Deus? Por que?



Se você está fazendo estas perguntas, lembre-se de que não está sozinho. Elas são tão antigas quanto a própria humanidade. Desde a Queda, as pessoas tentam conciliar a bondade de Deus com o sofrimento da humanidade. 

Quantos vezes eu me pego querendo entender  por que as coisas são como são, daí me volto para um dos textos que eu considero mais tremendos na Bíblia, que falam da SOBERANIA DIVINA, e ainda! Vejo um Deus misericordioso, que diante das perguntas, da inquietação daquele homem Jó, declara sua ONIPOTÊNCIA,  num diálogo que acalma/silencia, aquele homem tão carregado de calamidades, mostrando que um ser tão PODEROSO, não está surdo ao nosso clamor, mas demonstra que há coisas que nossa mente simplesmente não alcança. Ainda...

Quando vou chegando ao final do referido capítulo, minha alma dá um suspiro e meu espírito parece encontrar novamente a conexão com aquele QUE ERA, QUE É E QUE HÁ DE VIR...

Seja tocado(a)!!! Jó 38...


"Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo: 

Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás. 

Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam? Ou quem encerrou o mar com portas, quando este rompeu e saiu da madre; Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa? Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos, E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas? 

Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar; Para que pegasse nas extremidades da terra, e os ímpios fossem sacudidos dela; E se transformasse como o barro sob o selo, e se pusessem como vestidos; E dos ímpios se desvie a sua luz, e o braço altivo se quebrante; Ou entraste tu até às origens do mar, ou passeaste no mais profundo do abismo? Ou descobriram-se-te as portas da morte, ou viste as portas da sombra da morte? Ou com o teu entendimento chegaste às larguras da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isto

Onde está o caminho onde mora a luz? E, quanto às trevas, onde está o seu lugar; Para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa? De certo tu o sabes, porque já então eras nascido, e por ser grande o número dos teus dias! 

Ou entraste tu até aos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva, Que eu retenho até ao tempo da angústia, até ao dia da peleja e da guerra? Onde está o caminho em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra? Quem abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões, Para chover sobre a terra, onde não há ninguém, e no deserto, em que não há homem; Para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer crescer os renovos da erva? 

A chuva porventura tem pai? Ou quem gerou as gotas do orvalho? De que ventre procedeu o gelo? E quem gerou a geada do céu? Como debaixo de pedra as águas se endurecem, e a superfície do abismo se congela. Ou poderás tu ajuntar as delícias do Sete-estrelo ou soltar os cordéis do Órion? Ou produzir as constelações a seu tempo, e guiar a Ursa com seus filhos? Sabes tu as ordenanças dos céus, ou podes estabelecer o domínio deles sobre a terra? Ou podes levantar a tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra? 

Ou mandarás aos raios para que saiam, e te digam: Eis-nos aqui? 

Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento? Quem numerará as nuvens com sabedoria? Ou os odres dos céus, quem os esvaziará, Quando se funde o pó numa massa, e se apegam os torrões uns aos outros? Porventura caçarás tu presa para a leoa, ou saciarás a fome dos filhos dos leões, Quando se agacham nos covis, e estão à espreita nas covas? Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus filhotes gritam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?"

A Ele a Honra! A Ele a Glória! A Ele o Domínio!