quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Aplicando as Escrituras.



Rodrigo Martins. Professor de Hermenêutica no I.T.Q. Juiz de Fora e Cataguases MG.

Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;” 2ª Timóteo 3:16

*redarguir: Responder àquilo que foi dito; argumentar; redarguir calmamente, expondo todas as vantagens da minha sugestão.

Quando Paulo disse: “Toda a Escritura é dada por inspiração de Deus” (2ª Timóteo 3:16), ele empregou a palavra grega “theopneustos” com a ideia de inspiração.

Aplicar a Bíblia é o dever de todos os cristãos. Se não a aplicarmos, a Bíblia torna-se para nós nada mais do que um livro comum, uma coleção impraticável de manuscritos antigos.

Martyn Lloyd Jones disse:

“Qualquer entendimento que possamos ter da Bíblia poderá ser uma cilada para nós, se deixarmos de aplica-la”.

Aplicação implica ação, e ação obediente é a etapa final em dar vida à Palavra de Deus em nossas vidas. A aplicação da Escritura solidifica e ilumina o nosso estudo, e também serve para aguçar o nosso discernimento, ajudando-nos a melhor distinguir entre o bem e o mal.

Tanto que o Apóstolo Paulo Instruía a trocar as cartas entre as igrejas

“E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também.” Colossenses 4:16

Antes que possamos dizer aos cristãos do século 21 como a Bíblia se aplica a eles, devemos primeiro chegar à melhor compreensão possível do que a Bíblia significava ao seu público original. Se chegarmos a uma aplicação que teria sido estranha para o público original, há uma possibilidade muito forte de que não estamos interpretando a passagem corretamente. Quando estivermos confiantes de que entendemos o que o texto significava para os seus ouvintes originais, então devemos considerar as diferenças entre nós e eles.

Também é importante destacar que cada passagem tem apenas uma interpretação correta. Ela pode ter uma gama de aplicações, mas apenas uma interpretação. Isto significa que algumas aplicações são melhores que outras. Se uma aplicação for mais próxima da interpretação correta do que outra, então é uma melhor aplicação daquele texto.

Ao ler a Bíblia, podemos aprender sobre as interações de Deus com a humanidade ao longo da história, o Seu plano de redenção, Suas promessas e Seu caráter. Vemos como deve ser a vida cristã. O conhecimento de Deus que aprendemos da Escritura serve como uma base inestimável para aplicarmos os princípios da Bíblia à vida.

O objetivo seguinte é o que o salmista descreve como "guardar" a Palavra de Deus em nossos corações: "Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti" (Salmo 119:11).

Ao aplicar Ore e se faça as seguintes perguntas:

1. O que esta passagem me ensina sobre Deus?
2. O que esta passagem me ensina sobre a igreja?
3. O que esta passagem me ensina sobre o mundo?
4. O que esta passagem me ensina sobre mim mesmo? Sobre meus próprios desejos e motivações?
5. Será que essa passagem exige que eu tome uma atitude? Se afirmativo, que medidas devo tomar?
6. O que preciso confessar e/ou de que preciso me arrepender?
7. O que aprendi desta passagem que vai me ajudar a me concentrar em Deus e me esforçar para a Sua glória?

Por que Paulo escreveu as cartas às igrejas?

Existem diversos motivos notórios pelos quais ele as poderia ter escrito, mas o principal certamente é a Inspiração Divina (theopneustia), pois nitidamente era movido pelo Espírito de Deus, não temendo a morte mesmo lhe sendo revelado pelos profetas Cristãos as aflições que padeceria (Atos 21:9-11);

Exemplo na Bíblia de Aplicação:

“Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam?” Mateus 12:3

“E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na casa de Deus, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer senão só aos sacerdotes?” Lucas 6:3,4

Na discussão com os fariseus, Jesus citou um acontecimento da história de Davi, registrado em 1ª Samuel 21:1-9.
  • Uma interpretação comum é que Jesus aprovou o ato de Davi por causa da sua circunstância. Fugindo do rei Saul, Davi e seus amigos estavam com fome. O único pão que acharam foi o pão sagrado do tabernáculo.
  • Outra interpretação procura, no acontecimento no tabernáculo em Nobe, uma mensagem simbólica da salvação. Alguns comparam o sacerdote com o próprio Jesus e buscam um sentido paralelo à redenção realizada por Jesus.
  • Uma terceira explicação admite o pecado de Davi e mostra a hipocrisia dos fariseus. A interpretação mais coerente da resposta de Jesus não exige aprovação do pecado de Davi. Enquanto rejeitavam o próprio Filho de Deus, os fariseus honravam os heróis espirituais do passado e faziam questão de preservar seus sepulcros (Mateus 23:29-30). O túmulo de Davi foi um dos sepulcros protegidos (Atos 2:29), e o segundo rei de Israel foi visto com bons olhos pelos judeus. Naquele momento, os fariseus demonstraram sua injustiça e hipocrisia. Se perguntasse para eles sobre Davi, um herói que claramente profanou o tabernáculo, eles poderiam até arrumar desculpas para justificá-lo. Mas quando olhavam para os discípulos de Jesus, inocentes, eles distorceram a lei para acusá-los de pecado. Julgavam para condenar quando deveriam ter demonstrado justiça e misericórdia (Mateus 7:1-5).
Jesus citou Davi e os pães da proposição, porque Davi era um herói nacional e ele fez o que os fariseus certamente condenariam de pronto: comer o pão sagrado.

A grande lição do texto não diz respeito a pães, ou espigas de milho, mas diz respeito ao homem e sua relação com Deus.

“E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor.” Marcos 2:27,28

“Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia.” Habacuque 3:2
  • ·         Avivamento genuíno é fruto de oração, clamor;
  • ·         Avivamento genuíno é um retorno a Bíblia.
“Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção...” Tito 2:7

Obras Consultadas

KURUVILLA, Abraham. O Texto Primeiro. Ed. Cultura Cristã.
DORIANI, Dan. A Verdade na prática. Ed Cultura Cristã.
KEENER, Craig. A Hermenêutica do Espírito. Vida Nova.
EDWARDS, Jonathan. A Genuína Experiência Espiritual. Editora PES.
LOPES, Hernandes Dias. Morte na Panela. Ed. Hagnos.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Dúvidas sobre o Arrebatamento?


Muitos cristãos sinceros do passado que rejeitaram a doutrina de um Arrebatamento Pré tribulação fizeram isso com base na compreensão que tinham das Escrituras. Eles não sentiam compulsão em denegrir seus irmãos que aderiam a uma posição pré-tribulação. Infelizmente, esta atitude está agora mudando e muitos cristãos de linhas diferentes, hoje estão classificando não apenas como escapista e egoísta, mas como equivalente a uma heresia.
Eu notei que alguns irmãos que querem falar contra o pré-tribulacionismo usam uma serie de argumentos contra afirmações que segundo ele são bases do arrebatamento quando não o são.

Há que se notar a diferença entre o senso comum e a ciência hermenêutica.
Há uma chamada “sabedoria popular” no meio evangélico que é uma mistura de doutrinas e ditados populares sendo passadas como se fossem conteúdos bíblicos. Em sala quando estou ministrando a disciplina de “Introdução á Teologia”, costumo explicar que essa é a chamada: “Teologia de para-choque de caminhão”.
Acontece que no meio de quem crê no Pré-tribulacionismo, e no meio pentecostal, é mais comum vermos essas “misturas”, que são inclusive compreensiveis, dado o desejo se pregar e anunciar a volta de Cristo, pois como disse um grande pregador em outro tempo: “um homem salvo não quer ir para o céu sozinho”.
Vamos lá, se eu entendi direito, a pergunta que uma pessoa me fez dizendo ter visto em um outro canal foi: “se como os eventos que Paulo fala, ele os percebia nas pernas da estatua do sonho de Nabucudonossor, e se ele espera o Arrebatamento de forma iminente, e ele ocorresse ali, como tudo que havia de se desenrolar no mundo se daria em apenas sete anos?”
Primeiro, o Arrebatamento da igreja pode acontecer hoje e a Tribulação começar daqui 100 anos por exemplo, porque não é o Arrebatamento da igreja que inicia a Tribulação, mas sim a assinatura do tratado pelo Anticristo, conforme ensinado por Daniel 9:24-27e observado por Paulo. Há há!!!
Segundooutra coisa que foi ignorada é o Tempo da Igreja, que não foi visto por Daniel mas foi explicado por Paulo, inclusive quando fala de se completar a plenitude dos Gentios.
Daniel não viu a Igreja, Paulo viu Daniel e era ele mesmo membro da Igreja.
Terceiro, ainda outra coisa que chama a tenção é que usar a Igreja primitiva e seu flagelo como base para dizer que se Deus não os poupou, por que então, haveria de nos poupar é mera especulação, pois quando se menciona outros cristãos que sofreram é preciso ter em mente que o próprio Jesus disse que o tempo da Tribulação nunca houve igual nem tão pouco haverá.
“Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.” Mateus 24:21
E além das várias referências bíblicas dos vídeos os quais deixarei os link’s a seguir veja estas:
Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem.” Lucas 21:36
“E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.” Judas 1:14,15
Não há uma segunda expiação no final da Tribulação. A expiação é uma só feita por Jesus Cristo na Cruz. Jesus cumpriu, Jesus expiou tudo, só não chegou o tempo da Tribulação ainda.
Tanto que eles venceram na tribulação por este sacrifício conforme Apocalipse 12:11
“E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte.”

Portanto a vitória é pelo sacrifício do cordeiro na Cruz, aquela foi a expiação, não há outra.
O Templo de Apocalipse 11 não é a Igreja não há base textual-hermenêutica, nem lógica para isso.

O contrário disso porém é verdade porque tanto Daniel, Jesus e Paulo disseram do Anticristo profanar  Templo na Tribulação, portanto ele será reconstruído.

O cenário do final dos tempos na Palavra de Deus exige que um Templo Judeu esteja erigido quando o Anticristo governar o mundo. Ele o profanará e o povo judeu será forçado novamente a deixar o Templo porque se manterá fiel a Deus e se recusará a adorar o Anticristo (Dn 9.27).

Em Seu Sermão no monte das Oliveiras (Mt 24-25), Jesus confirmou a profecia de Daniel. Ele chamou a profanação de “o abominável da desolação” e disse que ela ainda não havia acontecido (Mt 24.15).


Algum dia, o Messias, Jesus, voltará para Jerusalém e construirá Seu Templo nesse pedaço de terra (Zc 1.16; Zc 6.12); e, a partir desse Templo do Milênio, Ele governará o mundo (Zc 6.13). Esse templo é descrito em detalhes vívidos e precisos em Ezequiel 40-46. Nada que tenha sido construído até agora se encaixa na descrição de Ezequiel. 

Nem o Tabernáculo, nem o Primeiro Templo edificado pelo rei Salomão, nem mesmo o Segundo Templo que foi dedicado por Zorobabel e magnificamente restaurado por Herodes o Grande. Sequer a estrutura desenhada na prancha de projetos de hoje será aquele Templo; essa estrutura será o Templo da Tribulação; que deverá estar em funcionamento na metade do período de sete anos que se denomina “tempo de angústia para Jacó” (Jr 30.7).
Quer entender o Arrebatamento? Assista aos vídeos nessa ordem.:

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Linha do Tempo Escatológica (entenda os acontecimentos)


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Para entender o Arrebatamento, assista aos vídeos no link a seguir:


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Um cristão pode ser cremado? Aula de Escatologia

“Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.” Romanos 8:22,23

Na Bíblia era mais comum enterrar os mortos mas não há nenhuma advertência contra a cremação. O rei Saul foi cremado por seus súbditos leais (1ª Samuel 31:11-13). Se a cremação fosse pecado ou desrespeito, não teriam feito isso. O rei Davi depois agradeceu a esses homens por sua lealdade com Saul.

“Ouvindo então os moradores de Jabes-Gileade, o que os filisteus fizeram a Saul, Todo o homem valoroso se levantou, e caminharam toda a noite, e tiraram o corpo de Saul e os corpos de seus filhos do muro, de Bete-Sã, e, vindo a Jabes, os queimaram. E tomaram os seus ossos, e os sepultaram debaixo de um arvoredo, em Jabes, e jejuaram sete dias." 1ª Samuel 31:11-13

“Então vieram os homens de Judá, e ungiram ali a Davi rei sobre a casa de Judá. E deram avisos a Davi, dizendo: Os homens de Jabes-Gileade foram os que sepultaram a Saul. Então enviou Davi mensageiros aos homens de Jabes-Gileade, para dizer-lhes: Benditos sejais vós do SENHOR, que fizestes tal beneficência a vosso senhor, a Saul, e o sepultastes! Agora, pois, o Senhor use convosco de beneficência e fidelidade; e também eu vos farei este bem, porquanto fizestes isto.” 2ª Samuel 2:4-6

A Bíblia também não condena o embalsamento de Jacó e José, uma prática comum da religião egípcia, porque não foi feito com o propósito de adorar outros deuses.

Jacó morreu no Egito e foi enterrado em Macpela (Gn 50:1-14) conforme o seu desejo em Gn 49:29-33.

José foi embalsamado e colocado num sarcófago no Egito (Gn 50:26) sob a promessa de seus irmãos que quando partissem levassem seu corpo junto (Gn 50:25).

“Depois, José ordenou aos seus servos, os médicos, que embalsamassem seu pai. De modo que os médicos embalsamaram Israel, e levaram com ele quarenta dias inteiros, pois levam costumeiramente tantos dias para o embalsamamento, e os egípcios continuavam a verter lágrimas por ele, por setenta dias.” (Gên 50:2, 3) José morreu à idade de 110 anos, “e fizeram-no embalsamar, e ele foi posto num ataúde, no Egito”. (Gên 50:26) No caso de Jacó, pelo visto, o objetivo principal era a preservação até o seu sepultamento na Terra da Promessa.

Em alguns lugares é mais barato que o enterro, sendo melhor para quem tem pouco dinheiro.

Você já deve ter ouvido falar das histórias dos mártires da Igreja. Homens e mulheres cristãos que morreram por não renunciarem sua fé em Jesus Cristo. Até hoje milhares de cristãos morrem nos países onde é proibido pregar o Evangelho de Cristo e na maioria das vezes nem ficamos sabendo disso.

E os cristãos que morreram queimados por exemplo?

Você já ouviu falar em Policarpo - O homem que morreu glorificando a Deus?

O procônsul irado, gritou:

_ Você não sabe que tenho animais selvagens a minha disposição? Vou soltá-los imediatamente se você não se arrepender!

_ Bem, então solte! - Respondeu Policarpo, sem qualquer vestígio de medo na voz. _Como eu poderia me arrepender de fazer o bem para fazer o mal?

O procônsul estava acostumado a amedrontar até os criminosos mais perigosos, mas não estava conseguindo assusta-lo. Então replicou:

_ Já que os animais selvagens não lhe assustam, saiba que você será queimado vivo se não renunciar a Jesus Cristo imediatamente!

Cheio do Espírito Santo, Policarpo irradiava alegria e confiança.

 O senhor me ameaça com um simples fogo que queima por uma hora e depois se apaga. Nunca ouviu falar do fogo do julgamento vindouro e do castigo eterno reservados para os ímpios? Por que está demorando tanto? Faça logo o que quiser comigo!

Deixem-me como estou. Aquele que me dá força para suportar o fogo também me dará capacidade para ficar imóvel na fogueira sem que precisem me amarrar.

Depois de permitir que Policarpo orasse, os soldados atearam fogo à pira. O fogo de Esmirna acreditava que depois de queimar Policarpo apagaria seu nome da história, dando um fim àquela odiada superstição chamada cristianismo. Mas assim como o procônsul, eles subestimaram a vitalidade e a convicção dos cristãos. Pois em vez de intimidar os outros cristãos, a morte de Policarpo lhe trouxe inspiração. E em vez de desaparecer, o cristianismo cresceu ainda mais.

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória.” Colossenses 3:4

“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” Filipenses 3:20,21

A Bíblia não tem nenhum mandamento que obriga ao enterro nem que proíbe a cremação. Por isso, os dois são válidos se a consciência do crente permitir.

Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações, visto que vocês foram chamados a viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos.” Colossenses 3:15

O mais importante é que seja tudo feito para a glória de Deus.

Portanto! Qualquer que seja sua escolha, faça para a glória de Deus e respeite a decisão das outras pessoas.

“Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.” Romanos 14:6-8



domingo, 27 de maio de 2018

Preparado (a) para ouvir o Som da Trombeta?




“E o que eu tenho haver com som de trombeta?”

Você pode estar se perguntando. Normal! É assim com a maioria dos Cristãos, mas eu vou explicar.

Se quiser aprender, veio ao lugar certo:

“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” 1ª. Coríntios 15:52

e

Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” 1ª. Tessalonicenses 4:16,17

O shofar era a trombeta nacional do povo de Israel, e aparece na Bíblia sendo utilizado nas convocações do povo em ocasiões militares e religiosas. O toque do shofar tinha um significado importante nas festividades judaicas, especialmente na celebração do início do ano novo civil, na Festa das Trombetas.

Assim que o sacerdote soava a Trombeta (Shofar), os tementes a Deus, verdadeiros servos, interrompiam imediatamente a colheita, mesmo que ficasse ainda mais para ser colhido, deixavam tudo lá mesmo, no campo. Era época de trigo e eles paravam tudo e se dirigiam para o Templo, para adoração do dia de ano novo, a Festa das Trombetas.

Jesus usou essa ilustração para descrever a sua Segunda Vinda. Paulo associa claramente o “soar das trombetas” com a Segunda Vinda de Cristo sobre as nuvens (1 Tessalonicenses 4.16-17 e 1 Coríntios 15.51-52). Isaías associou o uso do Shofar com a vinda do Messias (Isaías 51.9 e 60.1). Paulo associou o despertamento estrondoso com o Shofar e com o arrependimento dos pecados e citou Isaías 60.1 em Efésios 5.14-17.

“Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Faze-te duas trombetas de prata; de obra batida as farás, e elas te servirão para a convocação da congregação, e para a partida dos arraiais. E, quando as tocarem, então toda a congregação se reunirá a ti à porta da tenda da congregação. Mas, quando tocar uma só, então a ti se congregarão os príncipes, os cabeças dos milhares de Israel. Quando, retinindo, as tocardes, entãopartirão os arraiais que estão acampados do lado do oriente. Mas, quando a segunda vez retinindo, as tocardes, então partirão os arraiais que estão acampados do lado do sul; retinindo, as tocarão para as suas partidas. Porém, ajuntando a congregação, as tocareis; mas sem retinir. E os filhos de Arão, sacerdotes, tocarão as trombetas; e a vós serão por estatuto perpétuo nas vossas gerações. E, quando na vossa terra sairdes a pelejar contra o inimigo, que vos oprime, também tocareis as trombetas retinindo, e perante o Senhor vosso Deus haverá lembrança de vós, e sereis salvos de vossos inimigos.Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustossobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial perante vosso Deus: Eu sou o Senhor vosso Deus.” Números 10:1-10

Números cap. 10 mostra-nos sete funções do soar das trombetas e revela o que esta Festa significa para nós, hoje.

Os versículos 1 e 2a mostram que as TROMBETAS deviam ser feitas de prata batida. Estas trombetas não podiam ser moldadas (feitas em forma); tinham que ser batidas. Quando Deus começa a preparar os canais de Sua Palavra, os vasos que a proclamam, estes não são criados em uma linha de montagem; eles são batidos pela mão de Deus. São obras batidas. Nestes dias, se você quer ser um canal usado pelo Senhor para soar a trombeta em Sião, perceberá que chegará a este ministério através de profundos tratamentos de Deus, de Suas batidas sobre a sua vida que o moldará e lhe dará forma para ser o vaso que Ele quer que você seja.

Os versículos 2b a 10 enumeram as 7 funções básicas do soar das trombetas (do Shofar) e o que devemos fazer na Festa das Trombetas. Vamos ver o que a Festa das Trombetas - ou o sonido do Shofar - representa para nós.

PRIMEIRO havia o chamado da congregação. Quando os sacerdotes tocavam as trombetas, todo Israel devia reunir-se à tenda da congregação, o Tabernáculo. Todos eles deviam vir para o lugar central onde a glória do Senhor era revelada, para que pudessem ouvir a Palavra de Deus.

SEGUNDO: eles deviam soar as trombetas para a marcha dos arraiais. Quando viam a nuvem de glória se movendo, os sacerdotes tocavam as trombetas, e todos eram alertados e sabiam que era TEMPO DE AVANÇAR. Quando um retinido era tocado a primeira vez, um lado do arraial deveria se mover; ao segundo retinido, outro lado se moveria. Imagine três milhões de pessoas, com todos os seus rebanhos e manadas, convergindo em uma longa linha de marcha e começando a jornada, tudo comandado pelo soar das duas trombetas de prata. Que espetáculo maravilhoso devia ser! Juízes 7:18 - “Quando eu tocar a trombeta, e todos os que comigo estiverem, então, vós também tocareis a vossa ao redor de todo o arraial e direis: Pelo SENHOR e por Gideão!“

TERCEIRO: a preparação para a guerra era pelo soar das trombetas. Quando um adversário viesse contra eles, os sacerdotes tocariam as trombetas; e assim que tocassem o retinido, seriam “lembrados perante o Senhor seu Deus e salvos dos seus inimigos” (vs. 9). Neemias 4:20 – “No lugar em que ouvirdes o som da trombeta, para ali acorrei a ter conosco; o nosso Deus pelejará por nós”.  Jó 39:24, 25 – “De fúria e ira devora o caminho e não se contém ao som da trombeta. Em cada sonido da trombeta, ele diz: Avante! Cheira de longe a batalha, o trovão dos príncipes e o alarido”.

QUARTA função das trombetas era para os dias de alegria. Em todas as suas festividades, uma época maravilhosa e alegre. Neemias 12:41-43 – “Os sacerdotes Eliaquim, Maaséias, Minjamim, Micaías, Elioenai, Zacarias e Hananias, iam comtrombetas, como também Maaséias, Semaías, Eleazar, Uzi, Joana, Malquias, Elão e Ezer; e faziam-se ouvir os cantores sob a direção de Jezraías. No mesmo dia ofereceram grandes sacrifícios, e se alegraram; pois Deus os alegrara com grande alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouvir até de longe”.

QUINTO: as celebrações das FESTAS (Páscoa, Pentecostes, Tabernáculos e outras) eram sempre anunciadas pelo soar das trombetas. Salmos 81:3 – “Tocai a trombeta na Festa da Lua Nova, na lua cheia, dia da nossa festa”.

SEXTO: as trombetas eram tocadas no início dos meses. Da mesma forma, se uma nova era, uma nova dispensação estava por vir, se Deus tinha ordenado um ano de Jubileu (ano de libertação), então eles tocariam estas trombetas para iniciar o ano de Jubileu (Lv 25:8-10). Eles tocariam as trombetas para anunciar qualquer coisa que Deus tinha estabelecido no modo de ordenar o seu tempo ou os seus meses e anos.

A SÉTIMA função das trombetas era para que sempre que fizessem seus sacrifícios e apresentassem o que tinham feito ao Senhor, as trombetas fossem tocadas. Salmos 150:3 – “Louvai-o ao som da trombeta; louvai-o com saltério e com harpa”. Isaías 27:13 – “Naquele dia, se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria e os que forem desterrados para a terra do Egito tornarão a vir e adorarão ao SENHOR no monte santo em Jerusalém”.

Todos cristãos, têm raízes judaicas. Veja:

“Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão.” Gálatas 3:7-9

“E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar. Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira! Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades.” Romanos 11:23-26

As confissões, de ambos os povos é que se diferenciam: os cristãos encontram a sua unidade em Cristo, enquanto o judaísmo a encontra na Torá.

Cristãos creem que Jesus Cristo é a Palavra de Deus que se fez carne no mundo; para os hebreus a Palavra de Deus está presente sobretudo na Torá. Ambas as tradições de fé têm fundamento no Deus da Aliança, que se revela aos homens por meio da sua Palavra:  

E o Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos os povos uma festa com animais gordos, uma festa de vinhos velhos, com tutanos gordos, e com vinhos velhos, bem purificados. E destruirá neste monte a face da cobertura, com que todos os povos andam cobertos, e o véu com que todas as nações se cobrem. Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor DEUS as lágrimas de todos os rostos, e tirará o opróbrio do seu povo de toda a terra; porque o SENHOR o disse. E naquele dia se dirá: Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos.” Isaías 25:6-9

Compare esta esperança de Israel com a esperança da Igreja:

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.” Apocalipse 19:11-16

“E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis.” Apocalipse 21:1-5

Repare que em Levítico 23.1, Deus define as festas para serem fixas e como santas convocações, ou seja, são convocações para uma assembléia sagrada para seu povo, uma espécie de ensaio geral e, se é algo sagrado e foi instituído pelo próprio Deus, não podemos ignorar sua importância.

“Depois falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As solenidades do Senhor, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades:” Levítico 23:1,2

Os Cristãos não tem nenhum dever ou compromisso  de observar ou celebrar  essas festas, mas o entendimento do seu significado traz um ganho tremendo para a Fé.

Jesus, como um judeu justo, celebrou as festas, como pode-se observar nos registros dos evangelhos, inclusive o Hanuká (conhecida também como Festa das Luzes ou Festa da Dedicação, leia em João 10.22-23) que é uma festa celebrada pelos Judeus em memória da purificação do templo da profanação de Antíoco Epifanes, celebração esta que não está na relação de Levíticos 23.

Deus deu a Israel um total de sete festas e as quatro primeiras já tiveram seu significado profético cumprido: Páscoa, Pães Ázimos, Primícias e Pentecostes. 

A igreja passou a existir em Pentecostes e a próxima festa na sequência é Trombetas! Não faz sentido que "a última trombeta de convocação" de 1 Coríntios 15:52 seja retratada pela Festa das Trombetas e que terá seu significado profético cumprido quando a igreja for removida do mundo?

As quatro primeiras Festas são também conhecidas como “as primeiras chuvas” ou “chuvas temporãs” (primavera) e as três Festas seguintes são conhecidas como “as últimas chuvas” ou  “chuva serôdia” (outono), dessa forma, esses dois períodos de chuvas estão relacionados a Primeira e a Segunda Vinda de Cristo (leia Oséias 6.3, Joel 2.23, Deuteronômio 11.10-17 e Tiago 5.7-8). 

Veremos que essas Festas são ensaios feitos por Israel, das várias partes do plano de Deus para a humanidade.

As Festas Proféticas:

Páscoa
A Páscoa é uma Festa que lembra a libertação do povo Judeu da escravidão do Egito, para nós Cristãos, nos lembra de nossa libertação da escravidão do pecado através de Cristo.

Êxodos 12:3-10; João 1:29; Mateus 21; Zacarias 9:9

“Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” 1ª. Coríntios 5:7

Pães Asmos
A Páscoa é seguida de uma semana de Festa dos Pães Asmos (não levedados). Referente às escrituras, é qualquer coisa que corrompe um ingrediente quando é adicionado. Em Cristo a Festa dos Pães Asmos foi cumprida, pois ele é o Pão da Vida sem fermento, do qual devemos nos alimentar continuamente para termos vida e vida em abundância.

Primeiros Frutos (Primícias)
A Festa das Primícias é a terceira e última Festa que Jesus cumpriu pessoalmente na Terra. Jesus estava presente fisicamente na Páscoa, nos Pães Asmos e nas Primícias. Ele subiu (ascendeu) ao céu depois de 40 dias, 10 dias antes do Pentecostes.

Durante o ano existiam alguns sábados (“Shabat“) extras conhecidos como “Shabaton” ou como “O Grande Shabat“. Esses sete “Shabaton” extras caíam em dias especiais do calendário e não exatamente nas noites de sextas-feiras. Isso só pode ser encontrado no Novo Testamento somente se for lido no grego em Mateus 28.1 onde a palavra traduzida para Shabat é, na verdade, Shabaton e indo até Marcos 15.42 encontramos o texto dizendo claramente que “e portanto era o Dia da Preparação, isto é a véspera do sábado (Shabat), …”, veja também Mateus 26.62 e João 19.31. O “Dia da Preparação” refere-se a qualquer dia da semana, em qualquer data, antes de um Shabat.

A Festa dos Primeiros Frutos ou das Primícias teve seu cumprimento em Cristo através de sua ressurreição nesse dia, sendo assim Ele é o primogênito entre os mortos (Colossenses 1.18) para a vida eterna, Ele foi feito a primícia dos que dormem (1 Corintios 15.20). As manifestações descritas em Mateus 27.52-53 foram as Primícias de Cristo oferecidas a Deus Pai, aqueles santos que ressuscitaram foram os primeiros de uma imensa colheita que está para acontecer.

Pentecostes 
Depois das Primícias conta-se o Omer (feixe), a contagem dos 50 dias é chamada de “contando o Omer“, contando os feixes. A nação de Israel ressuscitou quando saiu das águas do Mar Vermelho e 50 dias depois Deus deu a eles a Lei, a Torah. Jesus ressuscitou e 50 dias depois Deus nos concedeu o Ruach Ha’Kodesh (o Espírito Santo). Ambos os casos citados tem o mesmo propósito (João 16.13 e Gálatas 5.22-23).

A Festa hebraica é chamada Festa do Shavuot. Shavuot significa “semanas” e se refere as semanas que estão entre as Festas das Primícias e do Pentecostes. Nas Primícias, um feixe de “grãos ázimos” era movido perante Deus, exatamente como Jesus, sem pecados, foi movido (levantado) diante do Pai. No Shavuot, dois pães levedados (porosos) eram levantados diante de Deus. Já que os dois pães contem levedura (fermento), o que eles representam? Os dois pães são as duas partes da Igreja, a judia e a gentia, mas ambas contem pecado. 

O término dessa quarta Festa traz o encerramento das Festas das primeiras chuvas, as chuvas temporãs. Jesus falou sobre o Pentecostes em vários momentos, inclusive no dia de sua ascenção (Atos 1.4-9).

Jesus Cristo ainda virá fisicamente cumprir mais três Festas.

Podemos resumir as 4 primeiras Festas da seguinte forma:

Páscoa: Convocação pela morte do Messias.

Pães Asmos: Convocação pelo sepultamento do Messias.

Primeiros Frutos (Primícias): Convocação pela ressurreição do Messias.

Pentecostes: Convocação pela nomeação e delegação de poder ao povo dado pelo Messias.

Como vimos nas 4 primeiras, Deus zela pelo cumprimento das Festas de acordo com seus significados e podemos esperar fatos relevantes também para as Festas de outono.

Vamos observar agora as 3 Festas seguintes, relacionadas as últimas chuvas, a chuva serôdia, que estão para se cumprir.  (clique na imagem para vê-la ampliada)



Trombetas
O dia 1 de Tishrei inicia a Festa das Trombetas ou Yom Teruah (O Dia do Estrondoso Despertar) ou ainda o Rosh Ha’Shanah (Cabeça do Ano, o dia do Som do Shofar). Essa é a única Festa que começa com a Lua Nova. O Shofar tinha suma importância na celebração do Ano do Jubileu. Como todos os meses do calendário, o primeiro dia de Tishrei começa com o brilho de uma lua nova. Os vigias no oriente de Israel ficavam observando até que surgisse o primeiro raio ou sinal da lua nova e esse sinal era transmitido rapidamente de vigia em vigia até chegar no Templo. O sacerdote ficava em pé no parapeito a sudeste do Templo e soava o Shofar para que fosse ouvido em todo vale ao redor.

O Rosh Ha’Shanah é também chamado de Yom Ha’Din, o Dia do Juízo. Os 30 dias de Elul, antes do primeiro dia de Tishrei é, então, tempo de se voltar para Deus e os 10 dias que precedem ao Yom Kippur (Dia do Temor, Expiação), são chamados de Dias de Temor ou “Os Dias Terríveis”. Exatamente como o Judeu faz anualmente, vemos que precede o encerramento do Rosh Ha’Shanah e que inaugura o “Dia do Senhor” (Sofonias 2.1-3).

Expiação

A palavra expiação, kipper, literalmente significa “cobertura do pecado”. A oferta pelos pecados oferece o perdão de Deus ao ofensor, uma expiação pelo pecado. O Yom Kippur ocorre no dia 10 de Tishrei e é o dia de adoração mais solene e mais sagrado no Judaísmo. Ele é chamado de “O Sabbath dos Sabbaths”. Esse é o dia em que todo Israel chora por seus pecados. Esse é o único dia do ano em que o sumo-sacerdote entra no santíssimo lugar ou “santo dos santos”, o lugar mais sagrado.

Deus revelou Sua intenção de que o Yom Kippur deveria ensinar o perdão de todas as dívidas; a libertação daqueles que estavam em algum tipo de servidão e o retorno das possessões. Quando Ele instituiu o Ano do Jubileu, a cada 50 Yom Kippur teria que ser um jubileu mesmo, ou seja, um júbilo. Era uma prática que deveria começar 50 anos depois de sua instituição, no entanto essa celebração ainda não foi realmente celebrada de verdade. Israel ainda aguarda a celebração completa do seu primeiro Jubileu, que vai acontecer quando o Messias retornar.

Yom Kippur, ou Dia da Expiação, vem da palavra Kaphar que quer dizer “cobrir”. Jesus é a nossa propiciação ou cobertura, Ele é a nossa expiação que apaga completamente os nossos pecados.

Em 2018 O Rosh Hashanah terá início em  09 de setembro, domingo e encerra em 11 de setembro, terça-feira.

Tabernáculos 
A Festa dos Tabernáculos ou Sukkot é também chamada de “Festa das Tendas” ou “Festa das Cabanas” (Sukkahs). A Festa do Senhor e a Festa do Recolhimento da Colheita. Começa 5 dias após o Yom Kippur. A Festa comemora a provisão e o abrigo de Deus durante o êxodo e ilustra Sua habitação no mundo porvir, a Nova Jerusalém.

Durante a Festa dos Tabernáculos, o Monte do Templo ficava impressionantemente iluminado com muitas tochas e lanternas. No Templo completamente iluminado Jesus declarou ser Ele mesmo a verdadeira Luz. Essas tradicionais alusões à água e à luz, como aqui mencionados, lembram parte do descritivo da Nova Jerusalém que desce do céu, conforme está escrito no livro de Apocalipse 21.9-27.

Jesus em pessoa é o nosso Sukkot, nosso verdadeiro tabernáculo que habitará perpetuamente entre os homens.

Por isso ele é chamado de Emanuel:

“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.” Isaías 7:14

“Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco.” Mateus 1:23

A Festa dos Tabernáculos continuará a ser celebrada durante o reino milenial de Cristo (Zacarias 14.16-19). (clique na imagem para vê-la ampliada)


O autor da Epístola aos Hebreus, fez os comentários de Hebreus 6:18-20, para os cristãos judeus que estavam vacilando em sua fé. Para exortá-los, ele disse que a "esperança" é a âncora da alma.

Que "esperança" é esta no sentido da expectativa do Novo Testamento?

Paulo oferece a resposta definitiva e ela encontra-se em sua epístola a Tito:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo." Tito 2:13.

"A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda a determinação." Provérbios 16:33.

Deus não joga dados. Ele é de Plano e de Providência!

Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” Filipenses 3:20,21

Rodrigo M. de Oliveira
Teólogo, Pedagogo, Pastor, Escritor e Palestrante.

Bibliografia:

MCMURTRY, Grady Shannon. As Festas Judaicas do Antigo Testamento.
ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. CPAD
HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. CPAD
OLIVEIRA, Marcello. A fascinante cultura judaica.
SKARSAUNE, Oskar. À Sombra do Templo. Ed Vida.
ELLISEN, Stanley A. Conheça melhor o Antigo Testamento. Ed Vida.
PINHEIRO, Jorge. Historia e Religião de Israel. Ed. Vida.
BRIGHT, John. Historia De Israel. Editora Paulus.


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Festas Judaicas Importantes em 2018

Purim comemora a salvação do povo judeu da destruição planejada pelo perverso Haman. A história é relatada na no Livro de Ester.

Yom Kipur Dia da Expiação É um dia marcado por jejum, preces e arrependimento onde o destino de cada judeu é selado. Pedir perdão ao próximo e a Deus.

*Nesta época (início do outono – Israel ou primavera – Brasil), os judeus do mundo comemoram a seqüência de festas típicas da estação de outono: o Rosh Hashaná (também conhecido como festa das trombetas), os 10 dias de Arrependimento (cujo último dia é conhecido como Yom Kipur, o dia do Perdão) e a Festa dos Tabernáculos ou festa da colheita (Sucôt).

Qual é a origem desses dez dias de arrependimento?

Em Levítico (Lev 23:24), encontramos uma ordem: “No sétimo mês, ao primeiro dia do mês, tereis descanso solene, um memorial ao som da trombeta, uma santa convocação”. O tocar da trombeta - shofar, que é um chifre de carneiro, na lua nova, que é a primeira do mês, é também chamado “o dia de nossa festa”. Entre o Rosh Hashaná, que é o primeiro dia do sétimo mês e o Dia da Expiação, Yom Kipur, que é o décimo dia do sétimo mês, há um período de dez dias dedicados ao arrependimento e perdão dos pecados de Israel, num nível coletivo-nacional. Deus concedeu um dia para expiação dos pecados da nação.

Festas em 2018Começa ao pôr-do-sol deTermina ao pôr-do-sol de
Festa de Purim28 de fevereiro, quarta-feira02 de março, sexta-feira
Festa da Páscoa (Pesach)30 de março, sexta-feira07 de abril, sábado
Festa de Pentecostes (Shavuoth)19 de maio, sábado21 de maio, segunda-feira
Festa das Trombetas (Rosh Hashanah)09 de setembro, domingo11 de setembro, terça-feira
Dez dias de arrependimento09 de setembro, domingo19 de setembro, quarta-feira
Dia da Expiação (Yom Kippur)18 de setembro, terça-feira19 de setembro, quarta-feira
Festa dos Tabernáculos (Succoth)23 de setembro, domingo02 de outubro, terça-feira

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A aparência de Jesus e o Capítulo 1 de Apocalipse



Exposição do capítulo 1 do Livro de Apocalipse

·         O livro de Apocalipse retrata Cristo triunfante sobre Satanás e suas forças.

Interpretando:

João escreveu o que ele viu (1:11,19), Para entendê-la, precisamos visualizar as cenas em nossa imaginação.

·         Jesus enviou a mensagem de Apocalipse às sete igrejas (1:4,11) que estavam passando por um período de dura perseguição (1:9). Como em qualquer carta, nós a entenderemos melhor vendo a mensagem através dos olhos de seus destinatários originais. Em certo sentido, estamos lendo a correspondência de alguém.

·         Apocalipse foi escrito com símbolos (veja 1:20). Os candelabros que João viu, por exemplo, simbolizavam igrejas; as estrelas significavam anjos. Precisamos distinguir entre o que João viu e o significado do que ele viu. Livros como Daniel, Zacarias, Ezequiel e Isaías usam linguagem figurada semelhante.

Aparição de Cristo:

Em Apocalipse 1, Jesus apareceu a João. Ele era enorme: sete estrelas em uma mão. Seu semblante resplandecia como o sol. Sua voz troava como as cataratas de Iguaçu. Seus pés eram como o bronze refinado no fogo, incinerando tudo em sua passagem. Seus olhos flamejantes poderiam penetrar como uma "visão raio X". Cristo tinha entrado no reino da morte e emergiu vitorioso possuindo as chaves da morte e do inferno (Hades).

Suas vestes compridas, simbolizando sua glória; seu cinto de ouro sobre o peito que tem como símbolo seu poder para julgar; sua cabeça branca, simbolizando sua eternidade; seus olhos de fogo, seu poder de penetrar todas as coisas, nada ficando escondido de sua presença.

As vestes usadas por Jesus eram as mesmas que os sacerdotes do Antigo Testamento usavam quando estavam oficiando no santuário.

SEUS PÉS SEMELHANTE AO BRONZE POLIDO

Vs. 15, "os pés, semelhantes ao bronze polido, como que refinado numa fornalha; a voz, como voz de muitas águas".

Embora o Filho do Homem glorificado, estivesse vestido com uma roupa comprida, seus pés não estavam cobertos, porém visíveis como o bronze reluzente, (brilhante).

A expressão "bronze polido", vem do termo grego "calkolibanov" calkolibanos (calkos=bronze; laban=embranquecer), referência a "algum metal como ouro, se não mais precioso" (Bíblia Online SBB). Seus pés, estavam descalços, assim como ficavam descalços os pés dos sacerdotes durante a ministração perante o Senhor em Israel.

O brilho de seus pés resplandecia como o fino bronze incandescente numa fornalha, debaixo de uma alta temperatura. A idéia aqui é de um latão branco, grandemente aquecido até se tornar brilhante ao extremo e intolerável à vista humana.

O latão, ou bronze, simboliza algumas coisas na Palavra de Deus:

Simboliza poder e perseverança:

- Zc 6.1, "Outra vez, levantei os olhos e vi, e eis que quatro carros saíam dentre dois montes, e estes montes eram de bronze". Pense na pujança, na magnificência desses montes altos brilhando em função do bronze, matéria com a qual foram construídos. É assim que Satanás, e nossos inimigos nos vêem. Somos aos seus olhos "montes de bronze".

- Ml 4.13, Levanta-te e debulha, ó filha de Sião, porque farei de ferro o teu chifre e de bronze, as tuas unhas; e esmiuçarás a muitos povos, e o seu ganho será dedicado ao SENHOR, e os seus bens, ao Senhor de toda a terra". As unhas de bronze, nesta passagem das Escrituras, demonstram o poder de guerra de Israel para esmagar as nações inimigas. Notem que este poder de guerra não é nato da nação, mas sim dado pelo Senhor. É o Senhor quem nos capacita para a Batalha, quando nos defrontamos com os nossos inimigos. É o Senhor quem peleja por nós, Êx 14:14, "O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis".

Simboliza a firmeza do Juízo divino, como visto no altar de bronze e na serpente:

Êx 27.1-7, "1 Farás também o altar de madeira de acácia; de cinco côvados será o seu comprimento, e de cinco, a largura (será quadrado o altar), e de três côvados, a altura. 2 Dos quatro cantos farás levantar-se quatro chifres, os quais formarão uma só peça com o altar; e o cobrirás de bronze. 3 Far-lhe-ás também recipientes para recolher a sua cinza, e pás, e bacias, e garfos, e braseiros; todos esses utensílios farás de bronze. 4 Far-lhe-ás também uma grelha de bronze em forma de rede, à qual farás quatro argolas de metal nos seus quatro cantos, 5 e as porás dentro do rebordo do altar para baixo, de maneira que a rede chegue até ao meio do altar. 6 Farás também varais para o altar, varais de madeira de acácia, e os cobrirás de bronze". 

Devemos pensar que o altar era o lugar onde acontecia os sacrifícios, e conseqüentemente o lugar onde os pecados eram expiados, perdoados. Era ali que a ira de Deus contra o pecado era aplacada, acalmada. Um fato interessante sobre o altar estava nos quatro chifres, que servia de proteção a uma pessoa fugitiva que ficava em segurança quando corria e se agarrava a eles.

Porém Adonias temeu a Salomão; e levantou-se, e foi, e apegou-se às pontas do altar. E fez-se saber a Salomão, dizendo: Eis que Adonias teme ao rei Salomão; porque eis que apegou-se às pontas do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que não matará o seu servo à espada. E disse Salomão: Se for homem de bem, nem um de seus cabelos cairá em terra; se, porém, se achar nele maldade, morrerá.” 1ª Reis 1:50-52


“E chegou a notícia até Joabe (porque Joabe tinha se desviado seguindo a Adonias, ainda que não tinha se desviado seguindo a Absalão), e Joabe fugiu para o tabernáculo do Senhor, e apegou-se às pontas do altar.” 1ª Reis 2:28

  • Através do ato de pegar nas pontas do altar, os israelitas se colocavam sob a proteção da graça salvadora e auxiliadora de Deus. O altar era um local de santuário bem como de ofertas, e os ofensores que se agarravam à suas pontas estavam seguros contra todo mal. Nem mesmo o Rei Salomão pôde matar o usurpador Adonias, quando este fugiu para a casa de Deus, e lá se agarrou às pontas do altar.

  •  Os chifres do altar eram símbolos do poder, os israelitas recorriam aos chifres do altar a fim de escapar da ira humana. A fim de alcançar o favor do rei, eles corriam para o santuário e tocavam no altar.

  • Um homem que foi acusado falsamente de assassinato poderia correr lá para segurança e agarrar-se nos chifres. Se ele fosse inocente eles o protegeriam.


O significado deste ato pelo exposto é agarrar-se a misericórdia de Deus.


compare com:

- Nm 21.8-9, "8 Disse o SENHOR a Moisés: Faze uma serpente abrasadora, põe-na sobre uma haste, e será que todo mordido que a mirar viverá. 9 Fez Moisés uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a de bronze, sarava". 

O contexto desta passagem esboça a realidade da mortandade que estava ocorrendo no meio do povo de Deus em razão de sua desobediência, por reclamar do alimento servido por Deus (Maná), chamando-o de "pão vil" (v. 5), considerando como melhores as comidas que comiam como escravos no Egito. Deus então, mandou para o acampamento "serpentes venenosas", que picavam e espalhavam a morte no meio do povo. A "serpente de bronze", construída pela ordem de Deus, era o alívio, o escape, pois quem fosse picado por uma serpente venenosa só escapava da morte quando olhasse para ela. Esta "serpente de bronze", prefigurava Cristo, quando foi erguido no Monte Calvário, sendo a salvação para aqueles que olhassem para ele, João 3:14, "E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado".

Outrora, os pés de Jesus palmilhavam as ruas de Jerusalém, em tarefas de misericórdia, os quais Maria lavou com sua lágrimas, e que os homens cruéis cravaram no Calvário. Estes pés, são agora os pés do vingador ao vir para pisar seus inimigos, Ap 14.19-20, "19 Então, o anjo passou a sua foice na terra, e vindimou a videira da terra, e lançou-a no grande lagar da cólera de Deus. 20 E o lagar foi pisado fora da cidade, e correu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, numa extensão de mil e seiscentos estádios". Temos aqui a figura do lagar que era uma "Espécie de tanque grande, geralmente cavado em rocha, no qual vários homens, com os pés descalços, pisavam as uvas para extrair delas o suco usado para fazer vinho", Ne 13.15 (Bíblia Online SBB). Da mesma forma que a uvas eram pisadas pelos homens, nesta passagem vemos Jesus pisando os ímpios em sua ira de julgamento.

Sim, os pés de Jesus como "latão reluzente", "bronze polido", nos mostram o seu poder contra os inimigos, a ao mesmo tempo o se juízo que sobrevirá contra aqueles que o rejeitaram.

O Cristo apocalipco, tem muito a nos dizer em sua manifestação de glória a João. Tantos seus pés como "latão reluzente", com a sua "voz", nos trazem aspectos de sua personalidade e de seu tratamento com o homem. O ímpio estará provando seu poder e será pisado no lagar de sua ira.

João desmaiou. Ele nunca tinha visto o exaltado Jesus. Muitos, hoje, jamais perceberam a glória do Senhor. Eles ainda imaginam Jesus como um recém-nascido numa manjedoura ou uma figura patética na cruz. Mas Cristo está, hoje, exaltado e extraordinariamente poderoso.

Subsidio para Interpretar o Capítulo 1:

1)    Leia o livro de Apocalipse ligeiramente algumas vezes, tentando ver em sua imaginação o que João descreveu. Não se preocupe, desde logo, com a interpretação; veja apenas o quadro.

2)    Observe os aspectos de Jesus descritos no capítulo 1. Olhe para os elementos descritivos no resto do livro (especialmente capítulos 2-3).

3)    Compare os símbolos usados no capítulo 1 com outras passagens para ajudar a interpretá-los: sete Espíritos (Isaías 11:2-3); pés como bronze polido (Miquéias 4:13; Malaquias 4:3); espada de dois gumes (Hebreus 4:12). 

4)    Reconheça o estilo simbólico da linguagem do livro. Temos que reconhecer o estilo da linguagem que o Espírito Santo empregou ao escrever este livro. Justo como ele fez em várias outras partes da Bíblia, aqui ele usou linguagem simbólica ou figurativa, freqüentemente com descrições físicas para retratar conceitos espirituais. Este era o costume de Jesus em suas parábolas. Quando ele disse, "Eu sou o pão" (João 6:35), imediatamente percebemos que ele não está falando de alimento físico. Quando ele disse, "Eu sou a porta" (João 10:7) ninguém imagina que Jesus é feito de madeira e tem dobradiças de metal. Quando ele disse, "Eu sou a videira" (João 15:1), não concluímos que ele é literalmente uma planta frutífera. Quando o mesmo Espírito Santo usou o mesmo escritor que registrou estas expressões figurativas para nos transmitir a mensagem do Livro de Apocalipse, não nos deveríamos surpreender se sua linguagem fosse figurativa ou simbólica. Outros livros da Bíblia, especialmente Ezequiel, Daniel e Zacarias empregam linguagem semelhante, tornando este estilo de revelação familiar àqueles que receberam o Livro de Apocalipse no primeiro século.

Observe:

Não há dúvida de que Jesus, depois de ressuscitado, foi mais reconhecido por seus gestos e por sua voz do que por sua aparência externa.

Maria Madalena viu Jesus em pé junto ao túmulo, porém não o reconheceu. Mas quando Ele pronunciou exclamativamente o nome “Maria!”, ela devolveu de pronto outra exclamação: “Raboni”, que em hebraico quer dizer Mestre (Jo 20.14-16).

Os dois discípulos que caminhavam de Jerusalém para Emaús não reconheceram Jesus quando Ele se pôs a caminho com eles, embora o céu ainda não estivesse escuro. Mas quando Jesus, à mesa com eles, tomou, abençoou, partiu e distribuiu o pão, Cléopas e seu amigo perceberam que aquele, até então estranho, era o Senhor!
O que acabou por completo com a resistência dos apóstolos em crer na ressurreição do Senhor foi a repetição da pesca maravilhosa, na mesma praia e no mesmo horário (Jo 21.1-14; Lc 51-11).

Jesus ressuscitou em glória e esse fato tornava sua aparência diferente.

Podemos entender esse poder que o Senhor tem de se revelar às pessoas quando e onde quer, como ocorreu até mesmo antes de sua ressurreição ao se ocultar dos fariseus, ou seja, desaparecer bem diante de seus olhos:

"Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou". João 8:59

Outro ponto interessante que encontramos na Palavra de Deus é que apenas os discípulos do Senhor o viram ressuscitado. Para o mundo, a última visão que tiveram do Senhor foi a de seu corpo morto sendo tirado da cruz e sepultado. A próxima visão será quando ele vier em glória para estabelecer o seu Reino.

Para pensar sobre a aparência de Jesus:

Pelo texto é possível perceber que a capacidade de ver o Senhor ressuscitado não seja algo natural. Isto é, estamos falando de um corpo em um estado da matéria que é completamente desconhecido da criação natural, portanto é preciso uma intervenção divina para que alguém possa enxergá-lo. Assim acredito que a menos que o Senhor abrisse os olhos de seus discípulos para enxergarem o que havia além dos bastidores do mundo material, nem mesmo eles o teriam visto em seu corpo ressuscitado.

Um exemplo interessante disso você encontra numa passagem do Antigo Testamento:

"Então [o rei da Síria] enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército, os quais chegaram de noite, e cercaram a cidade. E o servo do homem de Deus [Eliseu] se levantou muito cedo e saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros; então o seu servo lhe disse: Ai, meu senhor! Que faremos? E ele disse: Não temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. E orou Eliseu, e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o SENHOR abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu". 2ª Reis 6:14-17

Foi preciso uma intervenção divina para que o servo de Eliseu enxergasse o que havia nos bastidores, no mundo espiritual. Eliseu já tinha visto isso para poder afirmar que eram mais os soldados dos exércitos celestiais do que os dos exércitos das trevas, pois aqui ele não está simplesmente falando dos soldados humanos, mas daqueles que estariam ali para ajudar os soldados da Síria: "mais são os [anjos] que estão conosco [israelitas] do que os [anjos] que estão com eles [sírios]".

“Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” 2ª Coríntios 4:18

“Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.” Hebreus 11:27

 “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;” Colossenses 1:12-15

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.” Colossenses 1:16

Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” 1ª Timóteo 1:17

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;” Hebreus 1:1-3

No artigo sobre como interpretar a Marca da Besta explico mais sobre o forte simbolismo do livro de Apocalipse, pode ser lido através do link:


Professor Rodrigo Martins de Oliveira ITQ Juiz de Fora/MG
Bacharel em Teologia, Professor de Escatologia Bíblica a 12 (doze) anos. Leciona também as disciplinas de Hermenêutica, História de Israel entre outras