terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

GUARDADOS DA HORA DA PROVAÇÃO?


Uma Defesa Exegética de Apocalipse 3.10 e a Distinção entre Igreja e Israel no Debate Pré-Tribulacionista

Rodrigo Oliveira

1. Introdução ao Debate

O debate entre pré-tribulacionismo e pós-tribulacionismo permanece como uma das discussões mais relevantes dentro da escatologia evangélica contemporânea. Um dos textos centrais dessa controvérsia é Apocalipse 3.10, onde Cristo promete à igreja de Filadélfia:

“Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.”

A discussão gira em torno da expressão “guardarei da hora” e do uso da preposição grega ἐκ (ek). Além disso, opositores da posição pré-tribulacionista argumentam que o simbolismo judaico presente em Apocalipse 1–3 (como os candeeiros) indicaria que a Igreja está inserida na mesma esfera escatológica de Israel, participando da Grande Tribulação.

Este artigo propõe uma análise exegética, lexical e estrutural do texto, defendendo que Apocalipse 3.10 é coerente com uma leitura pré-tribulacionista, dentro de uma hermenêutica histórico-gramatical consistente.

2. Análise Lexical da Preposição ἐκ

A promessa de Cristo utiliza a construção:

τηρήσω ἐκ τῆς ὥρας τοῦ πειρασμοῦ

tērēsō ek tēs hōras tou peirasmou

A preposição ἐκ possui, conforme os principais léxicos gregos, o sentido básico de “para fora de”, “desde dentro de”, indicando separação ou remoção de uma esfera.

2.1 ἐκ segundo os léxicos

Conforme Bauer, Danker, Arndt e Gingrich (BDAG), ἐκ indica:

separação de origem;

movimento para fora de uma esfera;

remoção de dentro de uma condição.

Louw-Nida classifica ἐκ como termo que expressa “separação ou remoção de dentro de um espaço ou estado”.

Logo, semanticamente, ἐκ não é neutra. Ela carrega a ideia de saída ou exclusão de uma esfera.

3. Defesa Exegética de Apocalipse 3.10

A promessa não é simplesmente guardar da provação, mas guardar da hora da provação.

3.1 A palavra “hora” (ὥρα)

BDAG reconhece que ὥρα pode indicar:

momento decisivo;

período determinado;

evento escatológico.

O texto afirma que essa hora:

“há de vir sobre o mundo inteiro” (ἐπὶ τῆς οἰκουμένης ὅλης)

Trata-se, portanto, de um período global, não de perseguição local romana.

3.2 A palavra “provação” (πειρασμός)

O termo pode significar teste, provação ou tribulação severa. Em contexto apocalíptico, assume caráter judicial.

Assim, a promessa é de preservação da participação na hora escatológica global.

Se João quisesse expressar preservação dentro da tribulação, seria natural o uso de ἐν (“em”) ou διά (“através de”). O uso de ἐκ sugere preservação fora da esfera temporal da provação.

4. A Questão dos Candeeiros em Apocalipse 1–3

Um argumento pós-tribulacionista sustenta que, como as igrejas são chamadas de “candeeiros”, elemento associado à menorá judaica, isso indicaria identidade escatológica com Israel.

Contudo:

1. João utiliza o termo grego λύχνος (candeeiro), não o termo técnico hebraico menorá.

2. Não há um único candelabro de sete braços, mas sete candeeiros distintos.

3. O próprio texto interpreta o símbolo: “os candeeiros são as sete igrejas”.

O símbolo enfatiza função (luz no mundo), não identidade nacional.

O Novo Testamento frequentemente aplica linguagem veterotestamentária à Igreja (cf. 1Pe 2.9), sem dissolver distinções escatológicas.

5. Estrutura Literária do Apocalipse

A estrutura do livro revela um padrão relevante:

Capítulos 1–3: as igrejas

Capítulo 4: “Depois destas coisas” (μετὰ ταῦτα)

Capítulos 6–18: juízos da Tribulação

A palavra ἐκκλησία aparece repetidamente nos capítulos 1–3 e desaparece na seção dos juízos.

Quando João deseja referir-se à Igreja, ele o faz explicitamente. O silêncio terminológico nos capítulos centrais é significativo.

Além disso, Israel reaparece distintamente:

144.000 das tribos (Ap 7)

A mulher de Ap 12 (paralelo com Gn 37)

As tribos na Nova Jerusalém (Ap 21)

O próprio livro mantém distinção estrutural entre Israel e Igreja.

6. Distinção Israel × Igreja

Uma hermenêutica histórico-gramatical consistente reconhece:

Israel possui promessas nacionais e territoriais;

A Igreja é corpo de Cristo, mistério revelado no Novo Testamento;

A Tribulação tem caráter de juízo divino e restauração de Israel (cf. Jr 30.7).

A mulher de Apocalipse 12, que dá à luz o Messias e foge ao deserto, corresponde ao Israel histórico-redentivo.

A Igreja nunca é chamada de mulher que gera o Messias.

A distinção não implica separação soteriológica, mas distinção funcional no plano escatológico.

7. Por Que o Livro é Endereçado às Igrejas?

Receber revelação não implica ser objeto direto do juízo.

Profetas do Antigo Testamento anunciaram juízos sobre nações que não eram Israel, mas Israel recebeu a revelação.

Apocalipse é profecia para:

consolar,

exortar,

advertir,

produzir perseverança.

A Igreja precisa conhecer o juízo vindouro, mesmo que não participe dele.

8. Conclusão Teológica

A análise lexical de ἐκ, a construção τηρέω ἐκ, o objeto temporal “hora”, o caráter global da provação e a estrutura literária do Apocalipse fornecem base plausível para uma leitura pré-tribulacionista.

O uso de simbolismo judaico nos capítulos iniciais não dissolve distinções escatológicas mantidas no próprio livro.

A promessa de Apocalipse 3.10, dentro de uma hermenêutica histórico-gramatical, pode ser legitimamente compreendida como preservação da participação na hora escatológica global.

A discussão deve permanecer no campo exegético, não retórico. A posição pré-tribulacionista não é fruto de desconhecimento interpretativo, mas de uma leitura coerente dos dados textuais.


Pastor Rodrigo Oliveira. Teólogo; Pedagogo; Pós-graduado em Filosofia; Pós-graduado em Docência do Ensino Superior; Mestre em Escatologia Bíblica, Doutor em Teologia Sistemática. Professor nas disciplinas de Hermenêutica e Exegese Bíblica; Escatologia Bíblica entre outras.


Referências Bibliográficas (em Português)

BEALE, G. K. Apocalipse – Comentário do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.

CARSON, D. A.; MOO, Douglas J. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.

LOPES, Hernandes Dias. Apocalipse: O Futuro Chegou. São Paulo: Hagnos.

MACARTHUR, John. Apocalipse – Comentário Bíblico. São Paulo: Cultura Cristã.

PENTECOST, J. Dwight. Eventos Futuros. São Paulo: Vida.

TENNEY, Merrill C. Interpretação do Novo Testamento. São Paulo: Vida.

WALVOORD, John F. Apocalipse: Comentário Expositivo. São Paulo: Vida

terça-feira, 17 de junho de 2025

PEQUENOS NAS MÃOS DE DEUS: PARA ONDE IRÃO AS CRIANÇAS NO DIA DO ARREBATAMENTO


 Subtítulo: A Idade da Razão e o Arrebatamento - Pastor Rodrigo Oliveira

Todas as crianças sumirão por ocasião do Arrebatamento? Existe Bíblicamente Idade da Razão?

Minha posição é que, este é um assunto sobre o qual não devemos ser inflexíveis ou dogmáticos. Vamos raciocinar juntos¿

O conceito da "idade da razão" é que as crianças não são responsabilizadas por Deus por seus pecados até que atinjam uma certa idade, e que se uma criança morre antes de atingir essa "idade da razão", então a ela, pela graça e misericórdia de Deus, extraordinariamente será concedida entrada no céu.

A forma bíblica, de Deus ser justo e ao mesmo tempo justificar alguém é só quando aquela pessoa recebe perdão através de fé em Cristo. Cristo é o único caminho. João 14:6 registra o que Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” Pedro também disse em Atos 4:12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” A Salvação é uma escolha individual.

E quanto aos bebês e crianças pequenas que nunca alcançaram a capacidade de fazer essa escolha individual?

Há passagens bíblicas que podem ajudar, como por exemplo 2ª Samuel 12:21-23. O contexto desses versículos é que o rei Davi cometeu adultério com Bate-Seba, resultando em uma gravidez. O profeta Natã foi enviado pelo Senhor para informar a Davi que, por causa de seu pecado, o Senhor tiraria a vida da criança. Davi respondeu a isso lamentando e orando pela criança. Mas assim que a criança foi levada, o luto de Davi terminou. Os servos de Davi ficaram surpresos ao ouvirem isso. Disseram ao rei Davi: “Que é isso que fizeste? pela criança viva jejuaste e choraste; porém depois que a criança morreu te levantaste e comeste. Respondeu ele: Quando a criança ainda vivia, jejuei e chorei, pois dizia: Quem sabe se o Senhor não se compadecerá de mim, de modo que viva a criança? Todavia, agora que é morta, por que ainda jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei para ela, porém ela não voltará para mim.” A resposta de Davi indica que aqueles que não podem acreditar estão seguros no Senhor. Davi disse que ele iria para a criança, mas não poderia trazê-la de volta para ele. Portanto, Davi demonstra ter conforto nesse conhecimento.

É bíblico o conceito da idade da razão? Posso encontrar a idade da razão na Bíblia?

A resposta é, SIM!

³⁹ E vossos meninos, de quem dissestes: Por presa serão; e vossos filhos, que hoje não conhecem nem o bem nem o mal, eles ali entrarão, e a eles a darei, e eles a possuirão. Deuteronômio 1:39

¹⁴ Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.

¹⁵ Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem.

¹⁶ Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, de que te enfadas, será desamparada dos seus dois reis.  Isaías 7:14-16

¹¹ Até a criança se dará a conhecer pelas suas ações, se a sua obra é pura e reta.  Provérbios 20:11

Pela Bíblia, portanto, é possível dizer que há uma idade da razão.

E quando é esse momento, em que uma pessoa deixa de ser criança?

Bom, isso é uma questão psicológica e antropológica, que vai variar, de cultura para cultura.

E quanto ao Arrebatamento?

Não é explicitamente ensinado nas Escrituras, que todos aqueles abaixo da idade da razão serão levados no Arrebatamento.

¹⁹ "Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!"  Mateus 24:19

O Primeiro esclarecimento, é de que esse texto não se refere ao Arrebatamento.

Segundo, é amplamente aceito por vários teólogos, que haverá crianças durante a Grande Tribulação. 

A Bíblia, em passagens como Mateus 24:19, já citados, indica que haverá mulheres grávidas e mães amamentando durante esse período, o que implica a presença de crianças. 

Além disso, a própria ideia da Grande Tribulação, como um tempo de sofrimento e perseguição, não isenta as crianças, que também serão afetadas pelos eventos, assim como aconteceu com Israel no Antigo Testamento, ou mesmo na destruição do Templo no 70 D.C. no Novo Testamento, ou ainda durante o que aconteceu com os Judeus na 2ª G. Mundial.

Terceiro, A Bíblia não diz especificamente o que acontecerá com bebês, recém-nascidos e crianças quando o Arrebatamento ocorrer.

Isso faz com que muitos cristãos se preocupem, achando que serão levados no Arrebatamento, mas seus filhos pequenos poderão ser deixados para trás para enfrentar a terrível Tribulação.

Se uma criança não atingiu o ponto em que possa tomar uma decisão a favor ou contra Cristo, é até possível, que ela seja Arrebatada, porém, ESTE ENSINO, NÃO É EXPLICITADO NAS ESCRITURAS.

Há teólogos que propõem, que apenas os filhos dos crentes serão arrebatados,  que ao meu ver, faz mais sentido. Porém, como eu disse no início desse artigo, "minha posição é que, este é um assunto sobre o qual não devemos ser inflexíveis ou dogmáticos."

Por exemplo, se uma grávida cristã é Arrebatada, seu filho no ventre vai junto, já quanto a uma mãe não convertida a Cristo, não há base bíblica para dizer que a criança vá ser Arrebatada, pois, como já foi dito neste artigo, o texto de Mateus 24 que diz: “ai das grávidas e das que amamentarem” não se refere ao Arrebatamento. E em segundo lugar, porque a conclusão obvia disso,  é que não há esse texto bíblico que ensine esse tipo de Arrebatamento.

A condição que o texto bíblico demonstra dos que serão Arrebatados, é que deixaram a velha vida e as práticas erradas, confiando no RETORNO DE CRISTO PARA LIVRAR DA IRA, que é a Tribulação do Apocalipse:

⁸ Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma;

⁹ Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro,

¹⁰ E esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura.  1 Tessalonicenses 1:8-10

Pode ser o caso, de que assim como há salvação extraordinária para as crianças que morrem antes da idade da razão, seja também aplicada a mesma situação ao Arrebatamento, porém... “falta texto”!

Vale lembrar, que o Arrebatamento NÃO encerra o assunto da Salvação! HAVERÁ SALVAÇÃO durante o período da Tribulação do Apocalipse, conforme já demonstrei em artigos e vídeos no Canal Rodrigo Oliveira Oficial.

E como fica Lucas 18?

¹⁵ E traziam-lhe também meninos, para que ele lhes tocasse; e os discípulos, vendo isto, repreendiam-nos.

¹⁶ Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus.

¹⁷ Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele.  Lucas 18:15-17

Jesus usa as crianças como exemplo de quem recebe o Reino de Deus com facilidade, sem reservas ou barreiras mentais. A mensagem central é que a entrada no Reino de Deus exige uma postura de humildade, confiança e sinceridade, características encontradas nas crianças. O texto critica a atitude de quem se fecha para a graça divina por causa do orgulho ou de uma falsa noção de merecimento.

Portanto, Lucas 18:15-17 revela que a entrada no Reino de Deus exige uma mudança radical na forma como vemos a nós mesmos e a Deus, semelhante à forma como uma criança se entrega a seus pais. A humildade e a confiança são elementos cruciais para receber a salvação, e seu tema não é o Arrebatamento.

Por isso a necessidade (e urgência) de se pregar para crianças sim, desde o ventre!

Pastor Rodrigo Oliveira

Teólogo, Pedagogo, Mestre em Escatologia Bíblica; Doutor em Teologia Sistemática.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Live: Dispensacionalismo e Pré-tribulacionismo


A convite do Pr. Moisés Bichara, estarei na live comentando Dispensacionalismo e Pré-tribulacionismo dia 10 de Maio sexta-feira às 21h


 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Romanos 13 um comentário Exegético! (Aula de Hermenêutica)


 

Por Rodrigo Oliveira.

Perícope:

Que todos estejam sujeitos às autoridades superiores. Porque não há autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades que existem foram por ele instituídas.

2 Assim, aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus, e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.

3 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Você quer viver sem medo da autoridade? Faça o bem e você terá louvor dela,

4 pois a autoridade é ministro de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o mal, então tenha medo, porque não é sem motivo que a autoridade traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar quem pratica o mal.

5 Portanto, é necessário que vocês se sujeitem à autoridade, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência.

6 É por isso também que vocês pagam impostos, porque as autoridades são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço.

7 Paguem a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.

Romanos 13 aborda a relação entre os cristãos e as autoridades civis.

    Esta passagem bíblica, fornece orientação sobre como os cristãos devem interagir com as autoridades governamentais, há uma ênfase clara, na importância da submissão e da obediência à lei.

Mas não se apresse, ainda estamos no início da nossa aula! Eu sou o Pastor Rodrigo Oliveira, Professor nas disciplinas de Hermenêutica, Homilética, Escatologia Bíblica, Introdução à Teologia, Teologia Contemporânea, Filosofia da Religião entre outras. Sejam bem vindos ao meu blog e canais no youtube e instagram chamados: Rodrigo Oliveira Oficial.

    Contextualizando, o Apóstolo Paulo explica que o propósito principal do governo é manter a ordem e administrar a justiça. Os governantes são servos de Deus, aos quais foi confiada a responsabilidade de punir os malfeitores e elogiar aqueles que praticam o bem. O governo serve como uma restrição à ilegalidade e promove uma sociedade pacífica (Romanos 13:3-4). Paulo está instruindo também, os cristãos a pagarem os seus impostos e a darem honra e respeito às autoridades. Isto inclui prestar às autoridades o que lhes é devido, sejam impostos, receitas, respeito ou honra. Paulo enfatiza que estas obrigações se alinham com uma consciência limpa e cumprem a vontade de Deus (Romanos 13:5-7).

A passagem enfatiza o governo propriamente dito e os seus administradores quando funcionam devidamente.

    Infelizmente, o que temos hoje, são "cristãos" que não conhecem nem o contexto imediato, nem o contexto amplo do que dizem as Escrituras, que continuam a usar Romanos 13 para condenar aos outros cristãos que questionam o que o governo está fazendo. Aparentemente, fazer isso de uma maneira consistente, seria na opinião de “alguns cristãos”, como que mostrar "desrespeito ao governo ordenado por Deus". Não poderíam estar mais equivocados em sua interpretação, isto é falacioso — e perigoso. Governos corruptos e tortuosos exploram essa passividade sem sentido para levar adiante políticas claramente contrárias à Bíblia, e usam isso para silenciar e deixar os "fiéis ingênuos" alinhados com objetivos escondidos. Independente se percebem isso ou não, os “cristãos” que usam essa  má interpretação (distorcida) de Romanos 13 estão (ainda que não percebam), servindo ao Maligno.

    Ocorre, como digo em minhas aulas de hermenêutica, que muitos cristãos, não conhecem as Escrituras e não estudam seu contexto e costumes.

    Uma regra muito importante na interpretação das Escrituras que vivo repetindo é que: UMA PASSAGEM DAS ESCRITURAS NÃO PODE SIGNIFICAR HOJE, O QUE NÃO SIGNIFICOU NA ÉPOCA. Por isso precisamos transpor os abismos de interpretação (já mencionados em outras aulas) e usarmos as regras de hermenêutica e exegese bíblias, como pontes para transpormos os tais abismos de interpretação.

    O primeiro passo então, será descobrir o “lá e então” (o significado para a época), para depois determinarmos o “aqui e agora” (aplicação).

1) Quando Paulo escreveu Romanos 13, não havia democracia no Império Romano. As pessoas tinham de aceitar aquele que estivesse no poder. Os judeus tornaram a vida incrivelmente difícil para si mesmos ao reclamar e falar constantemente contra as autoridades. Paulo mandou corretamente que os cristãos romanos aceitassem a situação política prevalecente e, tanto quanto as circunstâncias permitissem, viver em paz com todos. Somente assim eles iriam brilhar como faróis de luz em um mundo tenebroso.

2) Os cidadãos romanos não escolhiam seus líderes, mas nós escolhemos — pelo menos em países que têm uma democracia funcional. Em uma forma democrática de governo, todos os líderes são escolhidos pelo povo, para um mandato de duração fixa somente. Espera-se que enquanto estiverem no cargo, esses líderes implementem as políticas que defenderam durante a campanha eleitoral. Portanto, as pessoas têm o direito de comentar a respeito do desempenho deles no cargo, fazer perguntas e até exigir que um ocupante de cargo público renuncie, se vier a trair flagrantemente a confiança que foi colocada nele pelo eleitorado.

    Muitos “cristãos que não conhecem suas bíblias”, preferem ignorar os fatos e a responsabilidade que cada um deve ter de estudar as Escrituras: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” 2ª Timóteo 2:15, imaginam que vivemos em um sistema totalitário de governo como aquele do passado, sou seja, erram ao não conxtetualizarem o tempo e o modo

Quem guarda o mandamento não experimenta nenhum mal; e o coração do sábio conhece o tempo e o modo certo de agir. Eclesiastes 8: 5 (NAA)

Abra a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os desamparados. Abra a boca, julgue retamente e faça justiça aos pobres e aos necessitados.Provérbios 31:8,9 (NAA)

    Fazendo isso, (interpretando equivocadamente Romanos 13) eles pedem que nos encurvemos submissivamente diante de líderes corruptos e façamos tudo o que eles mandarem, até mesmo quando seus decretos violam a Palavra de Deus.

Uma nação que deixa de proteger sua democracia a perderá.

    Um cristão verdadeiro precisa ser prudente e observar as ações do Maligno o tempo todo. Isto é especialmente verdadeiro neste tempo presente, em que o Maligno está excepcionalmente ativo em várias frentes, mentindo em uma escala nunca vista antes e atacando os fracos e vulneráveis.

“para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não ignoramos quais são as intenções dele. 2ª Coríntios 2:11 (NAA)

Eles têm os olhos cheios de adultério e são insaciáveis no pecado. Enganam almas inconstantes e têm o coração exercitado na avareza, essa gente maldita. Tendo abandonado o reto caminho, desviaram-se e seguiram pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o pagamento pela injustiça. Mas ele foi repreendido pela sua transgressão: um animal de carga mudo, falando com voz humana, refreou a insensatez do profeta. Esses tais são fontes sem água, névoas levadas pela tempestade, para os quais está reservada a mais profunda escuridão. Porque, falando com arrogância palavras sem conteúdo, enganam com desejos libertinos de natureza carnal aqueles que de fato estavam se afastando dos que vivem no erro. Prometem-lhes a liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor. 2ª Pedro 2:14-19 (NAA)

    É como eu sempre digo, diante de uma pergunta quando me é dirigida: O que dizem As Escrituras?

pelo contrário, santifiquem a Cristo, como Senhor, no seu coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês têm. 1ª Pedro 3:15 (NAA)

P.S. pretendo gravar essa aula em vídeo e postar no canal Rodrigo Oliveira Oficial no youtube também.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Conheça Juiz de Fora Comigo!


 Teatro Central Foto Rodrigo Oliveira.

Por Rodrigo Oliveira

    Com quase 600 mil habitantes, conhecidos como "juiz-foranos", Juiz de Fora é a quarta maior cidade do estado de Minas Gerais, estando atrás de Belo Horizonte, Contagem e Uberlândia. 

    Para alguns, é "uma cidade muito mais fluminense do que mineira", estamos a cerca de duas foras da Capital Rio de Janeiro, metade do tempo para Belo Horizonte.

    No início do século XX era a mais importante cidade do estado e conservou-se como a segunda maior cidade até 1990.

Carrega o título de centro industrial, comercial e de serviços da Zona da Mata Mineira!

    Tornou-se ainda, um importante centro educacional e portanto destino de estudantes de dentro e fora da cidade que vem fazer faculdade.

    O Centro da Cidade é conhecido como “um grande shopping a céu aberto”, por causa de suas galerias interligando-o e seus calçadões, e também porque pode ser facilmente percorrido a pé.

    A parte principal do Centro é demarcada pelas avenidas Barão do Rio Branco, (alguns dizem que é a amior avenida em linha reda da amérida do Sul), Presidente Itamar Franco (antiga Av. Independência) e Getúlio Vargas. 

    As ruas transversais são divididas em "parte baixa" (entre a Avenida Getúlio Vargas e Avenida Francisco Bernardino) e "parte alta" (a partir da Avenida Getúlio Vargas em direção à Avenida Rio Branco). 

    Algumas importantes ruas comerciais, como Marechal Deodoro (esta com trecho exclusivo para pedestres sem calçadão), Halfeld, São João e Mister Moore (estas três trasnformadas em "calçadão" na maior parte), compõe este "grande centro comercial".

    Aqui em Juiz de Fora, despontou a primeira Hidrelétrica de grande porte da América do Sul, a Usina de Marmelos, tornando a cidade conhecida como “Farol de Minas”.

Juiz de Fora nasce de uma estrada batizada “Caminho Novo”!

    Por volta do ano de 1703, foi construída uma estrada chamada Caminho Novo. Esta ligava a região das minas ao Rio de Janeiro, facilitando o transporte do ouro extraído.

    O Caminho Novo passava pela Zona da Mata Mineira e, desta forma, permitiu maior circulação de pessoas pela região, que, anteriormente, era formada de mata fechada, habitada por alguns índios.

    Em 1853, a localidade é elevada à categoria de cidade e, em 1865, ganha o nome de cidade do Juiz de Fora.

    O Juiz de Fora era um magistrado, do tempo colonial, nomeado pela Coroa Portuguesa, para atuar onde não havia Juiz de Direito. Este título “Juiz de Fora”, seria de origem portuguesa e remonta à época do rei D. Fernando. O magistrado era nomeado pela Coroa portuguesa para atuar onde não havia Juiz de Direito, e a designação "de fora" viria do latim "fórum".

    Ainda na década de 1850, iniciou-se a construção da Estrada União e Indústria, por iniciativa de Mariano Procópio Ferreira Lage. Esta estrada foi construída com objetivos de encurtar a viagem entre a Corte e a Província de Minas. (Neste momento, Juiz de Fora recebeu a primeira leva de imigrantes alemães).

"Nem tanto colonial, mas sim, um tanto quanto européia..." 

    Juiz de Fora, no século XIX, em estreita vinculação com o dinamismo do Rio de Janeiro, não participou da cultura colonial mineira. Seu desenvolvimento industrial, pautado pela modernização capitalista, trouxe para a cidade, além de apitos das fábricas e da luz elétrica, o desejo de civilizar-se nos moldes dos centros europeus. Seus teatros, cinemas e intensa atividade literária refletiam a vontade de criar uma nova imagem para a cidade.

    O Aeroporto da Zona da Mata denominado: Aeroporto Presidente Itamar Franco, mais conhecido como "Aerporto Regional", é a principal opção de transporte aéreo para atendimento a Juiz de Fora e toda a região. O empreendimento conta com infraestrutura moderna, amplo saguão para passageiros e usuários, capacidade para 600 mil passageiros/ano, além da segunda maior pista de Minas Gerais, com 2.525 metros.

    Já o Aeroporto dentro da cidade de Juiz de Fora, é o Francisco Álvares de Assis, mais conhecido como "Aeroporto da Serrinha",  é também a base de operações do Aeroclube de Juiz de Fora.

O hino da cidade diz:

“Viva a Princesa de Minas,

Viva a bela Juiz de Fora,

Que caminha na vanguarda

Do progresso estrada a fora!

Os seu filho operosos

Asseguram-lhe o porvir,

Para vê-la grandiosa

Nunca têm mãos a medir...

Das cidades brasileiras

Sendo a mais industrial,

Na cultura e no trabalho

Não receia outra rival.”


Eu sou o Rodrigo Oliveira, Pastor e Pedagogo em Juiz de Fora MG.

P.S. No próximo artigo vou abordar: “Os Imigrantes de Juiz de Fora”.


Fontes pesquisadas:

https://pjf.mg.gov.br/cidade/historia.php#:~:text=Em%201853%2C%20a%20Vila%20de,cidade%20do%20Juiz%20de%20Fora.

https://pt.wikivoyage.org/wiki/Juiz_de_Fora

http://mauricioresgatandoopassado.blogspot.com/p/historia-de-juiz-de-fora.html

https://www.pjf.mg.gov.br/institucional/cidade/hino.php

http://www.zonadamata-aero.com.br/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Aeroporto_de_Juiz_de_Fora

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Sansão e a Juventude Cristã


 

Pr Rodrigo Oliveira

“E desceu Sansão a Timnate; e, vendo em Timnate uma mulher das filhas dos filisteus,

Subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timnate, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-ma por mulher.

Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me esta, porque ela agrada aos meus olhos.” Juízes 14:1-3

Ele não queria a irmãzinha da igreja, ele queria a “batgirl do mundo" (ou melhor: bad girl e bad boy).

Sansão parece aquele jovem na igreja, aquela jovem, que os pais falam para não entrar em julgo desigual, não fazer o que desagrada a Deus, mas entra em um ouvido e sai pelo outro.

Alguém se identifica?!

Agora, o que ele não percebia é que mesmo querendo escapar da vida na igreja, ele ainda sim cumpriria os propósitos de Deus, pois o texto diz que aquilo estava ocorrendo para se cumprir o propósito de Deus para libertação do povo. Não adianta fugir dos planos e propósitos de Deus!

Isso me faz pensar numa frase marcante: “as vezes um homem encontra seu destino, no caminho em que tomou para evita-lo.”

“Mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor; pois buscava ocasião contra os filisteus; porquanto naquele tempo os filisteus dominavam sobre Israel.” Juízes 14:4

E além disso, quem é cristão está acostumado com a ideia de que as vezes nossos planos não estão em conformidade com o plano de Deus.

“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” Provérbios 14:12

“Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” Isaías 55:9

Vamos aproveitar essa história de Sansão e lembrar também de Jonas, para refletir no grande risco em se relacionar ou se aliançar com aquele a quem Deus está tratando:

“Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do Senhor para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor.

Mas o Senhor mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma forte tempestade, e o navio estava a ponto de quebrar-se.” Jonas 1:3,4

No fim das contas, tanto Sansão quanto Jonas cumpriram o papel original para o qual foram chamados, mas poderiam ter feito isso sem causar tanto sofrimento a si e aos outros.

A palavra de Deus sempre se cumprirá na sua vida em nome de Jesus.

“E disse Sansão: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia; e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara em sua vida.” Juízes 16:30

“E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, dizendo: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.

E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de saco, desde o maior até ao menor.” Jonas 3:4,5

“Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” Isaías 55:11

Pr Rodrigo Oliveira é de Juiz de Fora Minas Gerais.

Autor do Livro Escatologia Esperança para o nosso Tempo; Teólogo; Pedagogo e Professor de Escatologia Bíblica há mais de 15 anos.


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

quinta-feira, 4 de junho de 2020

O Arrebatamento e A Segunda Vinda! Pastor Rodrigo Oliveira


A palavra Arrebatamento aparece em 1ª Tessalonicenses 4:17

“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” 1ª Tessalonicenses 4:17
  • Etimologia: grego coiné, transliterado neolatino harpazo (septuaginta)
  • Latim clássico raptus (vulgata latina)
  • Latim mdeieval raptura
  • Francês antigo rapture
Todos com o significado de “captura”, “rapto” “sequestro”, "tomado à distância" ou "ARREBATAMENTO".

Que haverá uma remoção instantânea da igreja do mundo é algo que está fora de disputa, porque 1ª Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:51-53 declaram isso. A principal diferença de opinião gira em torno de quando ocorrerá essa remoção, pois muitos insistem que será simultânea à Segunda Vinda de Cristo no fim do Período da Tribulação, e não no início. 

Primeiro, precisamos compreender que o principal propósito do Período da Tribulação ("O Dia do Senhor") é tratar a nação de Israel — não a igreja de Jesus Cristo — que é sua amada noiva. 

Parte (senão a maioria) da confusão que cerca esse assunto é causada pela compreensão incorreta do termo "escolhido" como se referisse aos filhos de Deus.

A igreja é formada exclusivamente de indivíduos escolhidos, mas existem dois grupos distintos de escolhidos fora da igreja: O primeiro é formado pelos santos do Antigo Testamento e o segundo é o grupo daqueles que serão salvos durante o período da Tribulação. Porque quando alguém se converte a Cristo, ele passa a compor o grupo dos santos conforme veremos aqui.

Quando vemos o termo "escolhidos" usado em Mateus 24, juntamente com algumas referências nos evangelhos de Marcos e Lucas — precisamos entender que esses não são os santos da Época da Igreja — por razões que são explicadas neste artigo e na minha série de vídeos no canal a Hora da escatologia. (assista aos vídeos que vão no final desse artigo).

A maioria das profecias sobre o Período da Tribulação encontra-se no Antigo Testamento e, portanto, é claramente destinada a Israel. Adicionalmente, não faz absolutamente nenhum sentido o Senhor fazer Sua noiva passar pelos horrores inimagináveis da Tribulação. 

Além disso, aqueles que insistem que o período da Tribulação servirá para remover "as máculas e as rugas" [Efésios 5:27] da igreja antes que ela possa se apresentar diante de Cristo, negligenciam um fato básico: Essa crença forma a base para o Purgatório.

A Ira que Cristo levou sobre si na Cruz livra os cristãos da Tribulação - Grande Tribulação! 

As imperfeições humanas e toda mancha do pecado precisa ser removida de nós como um pré-requisito para que possamos comparecer na presença de Deus — e isso será realizado instantaneamente no arrebatamento [1ª Coríntios 15:50-58].

“À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
Graça e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” 1ª Coríntios 1:2,3 compare com (Atos 9:13). (Atos 9:32 (Atos 26:10).

Nos termos das Escrituras, os “santos” são o corpo de Cristo, os cristãos, a Igreja. Todos os cristãos são considerados santos... e ao mesmo tempo são chamados para serem santos. 1ª Coríntios 1:2,3 citado anteriormente, diz claramente. As palavras “santificados” e “santos” têm a mesma origem grega. Os cristãos são santos pela virtude da sua conexão com Jesus Cristo. (Atos 9:13). (Atos 9:32 (Atos 26:10).

Os paralelos entre o costume hebraico do casamento e o arrebatamento da igreja são inegáveis! A noiva (a igreja) deve esperar a vinda do noivo (Jesus Cristo) na casa de seu pai (este mundo, controlado por Satanás). Quando o noivo volta após um período de separação de dois anos (aproximadamente 2.000 anos até aqui), a noiva é levada para a casa do pai do noivo (a casa do Pai Celestial) onde ocorre a cerimônia de casamento. A lua-de-mel na nova casa (as "moradas" de João 14:2) dura sete dias (corresponde aos sete anos do Período da Tribulação aqui na Terra).

Margareth Macdonald inventou  Arrebatamento?

Até hoje, muitos ainda ridicularizam o conceito do que caracterizam como "um arrebatamento secreto" porque insistem que uma pessoa supostamente chamada Margaret McDonald concebeu a idéia em 1830 — e a idéia foi adotada posteriormente pela denominação Irmãos Plymouth, e popularizada por meio dos esforços de C. I. Scofield, e sua famosa Bíblia de Referência. Para responder a essas objeções, tudo o que podemos dizer é: "O que dizem as Escrituras?"

Sproul conta no livro O Conhecimento das Escrituras, que quando Karl Barth, foi visitar a Holanda, havia um debate sobre personificação, se a serpente falou ou não.. Quando perguntaram a ele se a serpente falou ou não, a resposta ele foi: “O que ela disse?”

Então resguardada a devida proporção, faço a mesma coisa, quando me perguntaram se Margareth Macdonald inventou o Arrebatamento pré: “O que dizem as escrituras?”

Mistério: O que a palavra "mistério" (grego musterion) significa quando é usada no Novo Testamento? Ela se refere a uma Escritura anteriormente não-revelada! Em outras palavras, Paulo está nos dizendo algo aqui, aproximadamente nos anos 59-60, que nunca antes tinha sido revelado por Deus: o assunto do arrebatamento. Esse fato apenas exige que nenhuma das palavras de Cristo em Mateus 24 possa estar se referindo ao arrebatamento!

“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados;” 1ª Coríntios 15:51

“O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos;
Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória;” Colossenses 1:26,27

“Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” Colossenses 2:2,3

“E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada;

Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição.” 2ª Pedro 3:15,16

Então, encontramos outro forte argumento para um arrebatamento anterior à Tribulação em 1ª Tessalonicenses 5:9, em que lemos: "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."

Esse verso, considerado no contexto, está obviamente conectado com o ensino de Paulo a respeito do arrebatamento — pois esse é o assunto do capítulo 4 e verso 13 até o capítulo 5 verso 11. Uma das principais razões que motivou Paulo a escrever essa primeira carta era que a igreja de Tessalônica estava entristecida pelo destino dos seus amados. Aquelas pessoas também tinham crido e aparentemente tinham morrido sem terem sido tomadas nos céus por Cristo (como Paulo tinha ensinado anteriormente, isso aconteceria algum dia). No entanto, como Paulo só esteve com eles por aproximadamente um mês, o conhecimento que eles tinham do assunto era incompleto. Portanto, para corrigi-los nesse mal-entendido, Paulo diz que seus familiares mortos "em Cristo" na verdade (somente por um momento) precederiam aqueles que estarão vivos no instante do arrebatamento.

Outro ponto interessante é que a igreja é mencionada freqüentemente até Apocalipse 3, mas então no verso 1 do capítulo 4, João recebe uma súbita ordem "Sobe aqui" (simbólica do arrebatamento?) e a igreja não é mencionada novamente até muito mais tarde, onde a encontramos como a "esposa do Cordeiro".

“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.” Apocalipse 19:7

Em seguida, no verso 4 do capítulo 4, encontramos os vinte e quatro anciãos (presbuteros no texto grego) assentados em volta do trono celestial e vestidos de branco e com coroas de ouro. Estar vestido de branco significa que a pessoa é uma vencedora [Apocalipse 3:4-5] e as coroas são consistentemente retratadas no Novo Testamento como representativas de recompensa. O fato de os anciãos estarem assim vestidos indica que o julgamento ante o Tribunal de Cristo [2 Coríntios 5:10] já ocorreu e os galardões já foram distribuídos!

A última trombeta:

Por que ela é chamada de “última trombeta”?

Porque então o período da graça chegará ao fim. A dispensação da anunciação do Evangelho da graça começou com uma “trombeta” e terminará com uma trombeta. Por que ela começou com uma “trombeta”? Porque podemos dizer que a pregação do Evangelho “repercutiu”, “ressoou” ou foi “trombeteada”.

“Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na macedônia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma;” 1ª Tessalonicenses 1:8

“Mas digo: Porventura não ouviram? Sim, por certo, pois Por toda a terra saiu a voz deles,E as suas palavras até aos confins do mundo.” Romanos 10:18

A trombeta de Deus para o arrebatamento, não equivale às sete trombetas do Apocalipse (capítulos 8-11).

A trombeta do Arrebatamento é Trombeta de Deus a do Apocalipse são de Anjos.

• A trombeta de Deus para o Arrebatamento anuncia a conclusão da era da graça. Trata-se da trombeta da salvação.
• As trombetas tocadas pelos anjos em Apocalipse, entretanto, são todas trombetas de juízo sobre o mundo das nações que rejeitou a Cristo. 

Em que será que pensaram os tessalonicenses, que em grande parte eram judeus, quando Paulo escreveu sobre a trombeta? 

O Apocalipse ainda não existia, portanto eles ainda não sabiam nada sobre as sete trombetas de juízo ali descritas. Por isso, certamente, a correlação possível, era pensarem na trombeta da salvação de Números 10.2-10. Nesse trecho do Antigo Testamento são mencionadas duas trombetas que eram tocadas em certas ocasiões.

A ordem de Deus dizia: “Faze duas trombetas de prata; de obra batida as farás; servir-te-ão para convocares a congregação e para a partida dos arraiais” (Nm 10.2). Por um lado, portanto, estas trombetas de prata eram tocadas para convocar, chamar, juntar e reunir, e por outro lado para levantar acampamento e partir. Isso não tem sentido profético?
É interessante verificar que essas trombetas deviam ser confeccionadas de prata. Que prata era usada para essa finalidade? O siclo de prata do resgate [salvação] (Êx 30.12-13).

“Quando fizeres a contagem dos filhos de Israel, conforme a sua soma, cada um deles dará ao Senhor o resgate da sua alma, quando os contares; para que não haja entre eles praga alguma, quando os contares.

Todo aquele que passar pelo arrolamento dará isto: a metade de um siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte geras); a metade de um siclo é a oferta ao Senhor.” Êxodo 30:12,13

O primeiro personagem bíblico que é mencionado fazendo uma compra e pagar por ela foi Abraão, no dia em que sua esposa Sara faleceu. De acordo com Gênesis 23:14-16, Abraão comprou uma parcela de terra para enterrá-la e pagou pela terra à Efrom, o heteu, 400 siclos de prata. Gênesis 23:14-16.

O siclo (em hebraico "shékel", do verbo shakál = pesar, pagar) era uma unidade de peso, e equivalia a cerca de 12 gramas. Então, pela terra, Abraão pagou 4 quilos e 800 gramas de prata.

“Se for a tua avaliação de um homem, da idade de vinte anos até a idade de sessenta, será a tua avaliação de cinqüenta siclos de prata, segundo o siclo do santuário.” Levítico 27:3
  • No Arrebatamento A Igreja vai para as nuvens encontrar Jesus Cristo.
  • Na Volta de Cristo ao final da Tribulação, Ele pisa o Monte das Oliveiras.
Isso está demonstrado na imagem no início deste artigo.
Leia também:

http://rodrigoartigos.blogspot.com/2017/12/a-volta-de-cristo-em-duas-etapas.html


Assista ao meu vídeo O Arrebatamento antes ou depois da Tribulação:


O que quer dizer, que um será tomado e o outro deixado? assista:



segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O Salmo 24 e A Palavra Profética!



“Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.” Salmos 24:7

O salmo é messiânico porque traz em si valores proféticos acerca de Jesus, o Cristo quando da sua ascensão.

“DO Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios. Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação. Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó. (Selá.) Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. (Selá.)”

Obs. Selá é uma palavra usada geralmente em Salmos, e possui um conceito de difícil tradução. (Ela não pode ser confundida com a palavra hebraica sela‘ (em hebraico: סֶלַע) que significa "rocha".) É uma instrução sobre a leitura do texto, algo como "Medite". Os Salmos foram cantados acompanhados por instrumentos musicais e há referências a isto em muitos capítulos. Trinta eum dos trinta e nove salmos com o título "Para o músico mor" incluem a palavra "Selá". Selá registra uma pausa na música e tem um propósito similar ao Amém na medida em que ressalta a importância da passagem anterior.

Classificado como salmo messiânico, o salmo vinte e quatro tem sido visto como litúrgico, pois celebra a entrada no santuário. Crê-se que no contexto da liturgia do culto dos Hebreus , esse seja um dos salmos que fosse entoado por um coro postado nos portões do templo.

Os salmos 22,23 e 24 formam uma única mensagem. O salmo 22 fala do passado, o 23 do presente e o 24 do futuro. O salmo 22 é um salmo messiânico, referindo-se a morte e ressurreição de Jesus Cristo, escrito mil anos antes do nascimento de Jesus. O salmista teve uma visão profética do calvário, pode olhar mil anos na frente e descreveu no salmo 22 o sentimento de Jesus na cruz. Jesus cumpre a palavra profética declarando: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Para declararmos que o Senhor é o nosso pastor (Sl. 23) precisamos aceitar a obra do calvário (Sl. 22).

A Entrada do Rei da Glória

Na Bíblia geralmente as palavras possuem cumprimentos duplos ou triplos. Isto é muito comum nos Salmos.

As passagens nas escrituras, tem pelo menos três aplicações e pode então ser apresentadas de três maneiras, por exemplo:

1º) Histórica - Literal.
2º) Doutrinária - Moral.
3º) Profética ou Espiritual.

Veja, Oséias 11:1 por exemplo diz: “Quando Israel era menino, Eu o amei; e do Egito Chamei o meu Filho”.

Literalmente o texto refere-se à saída de Israel do Egito.

Doutrinariamente figuradamente mostra quando um pecador deixa o Egito(mundo) e torna-se filho de Deus.

Profeticamente se cumpriu em Jesus Cristo, como prova o evangelista Mateus (Mt 2:15).

“E esteve lá, até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho.”

Tendo esclarecido isto voltemos para o Salmo 24:

Descrição do fato:

Naturalmente, depois que a batalha se encerra, o exército e a arca faziam o trajeto de volta ao santuário. 

Essa é provavelmente a situação que está por traz da liturgia no salmo 24.

Depois de uma declaração da soberania de Deus. Sobre usa criação (v. 1,2) os versos de 3 a 6 descrevem o tipo de pessoa que podia entrar nos recintos sagrados. Pode ser que isso implique que alguém ou determinado grupo procurasse ter acesso ao santuário, e, pelos versículos de 7 a 10, acreditamos que a idéia se refere ao exército, no momento em que retorna a Jerusalém para colocar a arca de volta no lugar Santíssimo.

Portanto, a interpretação do diálogo que acontece nos versículos de 7 a 10 é de que se trata de uma conversa entre um porteiro levita e os sacerdotes que carregavam a arca à frente do exército. Os primeiros a falar são os sacerdotes, que pedem acesso pelos portões da cidade: “abram-se, ó portais abram-se, ó portas antigas, para que o Rei da Glória entre”. (v 7 em algumas traduções).

A maneira de se entender historicamente (literalmente), como Deus pode ser visualizado em sua entrada pelo portão da cidade seria representado pela arca. De qualquer forma esse pedido é seguido por uma resposta indagadora do porteiro: “Quem é o Rei da Glória?” (v. 8a).

É obvio que os sacerdotes sabem muito bem quem é o Rei da Glória. Todavia a pergunta admite uma resposta de LOUVOR DESCRITIVO a DEUS, o Guerreiro.

De novo o sacerdote na liderança do exército responde: “O Senhor forte e valente, O Senhor valente nas guerras. Abram-se, ó portais; abram-se, ó portais antigos, para que o Rei da glória entre”. (v 8b,9).

Isso fornece a oportunidade para uma enfática reafirmação da pergunta e da resposta: “Quem é esse Rei da glória? O Senhor dos exércitos, ele é o Rei da glória”. (v 10).

Entendemos que será no tribunal de Cristo que o Salmo 24.7-10, terá seu cumprimento profético, quando a igreja dirá: Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, eentrará o Rei da Glória. Então milhares de anjos perguntarão: Quem é este Rei da Glória? e a igreja responde: O Senhor forte e poderoso na guerra. Mas não abrirá, e a igreja dirá: Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrara o Rei da Gloria. E milhares de anjos perguntarão: Quem é este Rei da glória? E a igreja responderá: E o Senhor dos Exércitos, Ele é o Rei da Glória. Então os umbrais se abrirão e o Senhor entrará com a igreja e os anjos a glorificarem o seu nome.

E sem dúvida há ali a descrição doutrinária, de como moralmente devem andar aqueles que quiserem habitar com Deus.

Rodrigo M. de Oliveira
Pastor; Pedagogo; Bacharel em Teologia; Professor no Instituto Teológico Quadrangular.

Leia meus dois outros artigos relacionados ao tema:

O Natal e A Cosmovisão Cristã:


Os Salmos e A Hermenêutica:


Bibliografia:

O. Palmer Robertson. A Estrutura e teologia dos Salmos. Editora Cultura Cristã.
SPURGEON, C.H. Esboços Bíblicos de Salmos. Shedd Publicações.
FILHO, Isaltino Gomes Coelho. Teologia dos Salmos. Editora: JUERP.
STANLEY, Gundry. Deus Mandou Matar ? Editora Vida.
KIVITZ, Ed René. O livro mais mal-humorado da Bíblia: A acidez da vida e a sabedoria do Eclesiastes. Editora: Mundo Cristão.
PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. Editora Vida.
PINK, Arthur W. O Anticristo